Anafilaxia em Crianças: Conduta Imediata no Pronto-Socorro

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mãe traz seu filho de 7 anos ao pronto-socorro, após uma festa de aniversário de um colega da escola em um restaurante de comida japonesa, referindo que, há cerca de 20 minutos, apresenta agitação e discreto edema de lábios, certo grau de estridor laríngeo, e a ausculta pulmonar tem murmúrio vesicular presente com alguns poucos sibilos. Também possui uma placa urticariforme em nádega.A conduta inicial mais adequada é:

Alternativas

  1. A) prescrição de adrenalina intramuscular.
  2. B) inalação com broncodilatador.
  3. C) acesso venoso e expansão com solução salina.
  4. D) administração de corticosteroide e antihistamínico intravenosos.

Pérola Clínica

Criança com sintomas multissistêmicos (cutâneo + respiratório) após exposição a alérgeno → Anafilaxia = Adrenalina IM imediata.

Resumo-Chave

O quadro clínico de agitação, edema de lábios, estridor laríngeo, sibilos e placa urticariforme após ingestão de comida japonesa é altamente sugestivo de anafilaxia. A presença de comprometimento cutâneo e respiratório indica uma reação alérgica grave. A conduta inicial e mais importante é a administração imediata de adrenalina intramuscular, que é o tratamento de escolha para reverter os sintomas.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma emergência médica que requer reconhecimento e tratamento imediatos para prevenir desfechos fatais. Em crianças, a apresentação pode ser variada, mas a presença de sintomas cutâneos (urticária, angioedema) e respiratórios (estridor, sibilos, dispneia) após exposição a um alérgeno alimentar, como frutos do mar ou outros componentes da comida japonesa, é um forte indicativo. A agitação pode ser um sinal de hipóxia ou ansiedade. O tratamento de escolha para a anafilaxia é a adrenalina, administrada por via intramuscular na face anterolateral da coxa. A dose padrão é de 0,01 mg/kg da solução 1:1000, com dose máxima de 0,5 mg. A adrenalina atua como um agonista alfa e beta-adrenérgico, causando vasoconstrição, broncodilatação e redução do edema, revertendo os efeitos da reação alérgica. O atraso na administração da adrenalina é o fator mais comum associado a mortes por anafilaxia. Após a administração da adrenalina, o paciente deve ser monitorizado de perto. Terapias adjuvantes, como antihistamínicos (para prurido e urticária) e corticosteroides (para prevenir reações bifásicas), podem ser consideradas, mas nunca devem atrasar a administração da adrenalina. A manutenção das vias aéreas, o suporte ventilatório e a reposição volêmica com cristaloides também são componentes importantes do manejo. A educação dos pais e da criança sobre a prevenção de futuras exposições e o uso de autoinjetores de adrenalina é crucial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para anafilaxia em crianças no pronto-socorro?

Sinais de alerta incluem início súbito de urticária, angioedema (especialmente lábios, face, língua), estridor, sibilos, dispneia, tosse persistente, hipotensão, tontura, síncope, dor abdominal, vômitos e agitação. O envolvimento de dois ou mais sistemas após exposição a um alérgeno é crítico.

Qual a importância da adrenalina intramuscular como conduta inicial na anafilaxia?

A adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha e mais eficaz para anafilaxia. Ela age rapidamente para reverter a broncoconstrição, a vasodilatação e o edema de vias aéreas, estabilizando o paciente. O atraso na administração de adrenalina está associado a piores desfechos.

Quando considerar outras terapias além da adrenalina na anafilaxia?

Antihistamínicos (H1 e H2) e corticosteroides podem ser usados como terapias adjuvantes para aliviar sintomas cutâneos e prevenir reações bifásicas, respectivamente. Broncodilatadores inalatórios podem ser úteis para broncoespasmo persistente. No entanto, nenhum deles substitui a adrenalina na fase aguda.

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