UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2021
Lactente de 7 meses de idade, sexo masculino, previamente hígido, deu entrada no pronto-socorro com história de lábios arroxeados e inchados, manchas vermelhas no corpo, irritabilidade e desconforto respiratório há cerca de 30 minutos. Ao exame físico, apresenta-se eutrófico, em estado geral regular, agitado, com tempo de enchimento capilar de 2 segundos, leve cianose perioral e edema labial/periorbitário. Ausculta pulmonar com sibilos expiratórios difusos bilaterais com tiragem subcostal. Presença de pápulas eritematosas em face, tronco e membros. Estava taquicárdico, taquipnéico, com pressão arterial de 95x55 mmHg e saturação de oxigênio de 89% em ar ambiente. Criança veio acompanhada pela avó, que refere ter ofertado fórmula infantil adequada para a idade, em diluição correta, pela primeira vez, devido ao retorno da mãe ao trabalho. Antecedentes familiares mostram mãe asmática e pai com rinite alérgica. Com base no caso apresentado, podemos afirmar:
Anafilaxia em lactente → Adrenalina IM 0,01mg/kg (1:1000) no vasto lateral da coxa é o tratamento IMEDIATO e essencial.
O caso descreve anafilaxia grave em lactente após exposição a fórmula infantil, com comprometimento cutâneo, respiratório e cardiovascular. A adrenalina intramuscular é a medicação de primeira linha e mais importante, devendo ser administrada prontamente para reverter a progressão do choque.
A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que exige reconhecimento e tratamento imediatos. Em pediatria, as causas mais comuns incluem alimentos (especialmente leite de vaca, ovo, amendoim), picadas de insetos e medicamentos. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente os sinais e sintomas de anafilaxia, que podem variar desde manifestações cutâneas e mucosas até comprometimento respiratório e cardiovascular. O diagnóstico de anafilaxia é clínico e baseia-se na presença de sintomas agudos envolvendo pelo menos dois sistemas orgânicos após exposição a um alérgeno, ou hipotensão isolada. O caso apresentado é um exemplo clássico, com urticária, angioedema, sibilos, tiragem, taquicardia e hipotensão relativa, indicando um quadro grave. A história de primeira exposição à fórmula infantil reforça a suspeita de alergia à proteína do leite de vaca (APLV). O tratamento imediato e mais crucial para a anafilaxia é a administração de adrenalina intramuscular. A dose recomendada é de 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg) da solução 1:1000, aplicada no vasto lateral da coxa. Outras medidas de suporte incluem a manutenção das vias aéreas (ABC), oxigenoterapia, fluidos intravenosos e monitorização. Corticosteroides e anti-histamínicos são adjuvantes, mas não substituem a adrenalina e não devem atrasar sua administração.
Anafilaxia é diagnosticada quando há envolvimento de dois ou mais sistemas (pele/mucosas, respiratório, cardiovascular, gastrointestinal) após exposição a um alérgeno, ou hipotensão após exposição conhecida.
A adrenalina atua rapidamente como vasoconstritor, broncodilatador e estabilizador de mastócitos, revertendo os sintomas de choque, broncoespasmo e angioedema, sendo superior a qualquer outra medicação.
A dose é de 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg) da solução 1:1000, administrada por via intramuscular no vasto lateral da coxa. Pode ser repetida a cada 5-15 minutos se necessário.
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