IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020
Lactante de seis meses, em aleitamento materno exclusivo, deu entrada no serviço de pronto-atendimento com quadro de lesões papuloeritematosas difusas pelo corpo e edema periorbitário e esforço respiratório. O pai afirma que o quadro se iniciou cerca de quinze minutos após oferecer fórmula láctea infantil de primeiro semestre à criança, recomendada pelo pediatra assistente. Exame físico: ativa, hidratada, boa perfusão capilar, placas papuloeritematosas difusas, pálpebras edemaciadas, dispneia leve com estridor inspiratório, bulhas rítmicas e normofonéticas, abdome sem alterações. Neste caso, qual é a conduta inicial indicada?
Anafilaxia em lactente com estridor e urticária → Adrenalina IM é a conduta inicial salvadora.
A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que requer reconhecimento imediato e tratamento com adrenalina intramuscular. A presença de sintomas cutâneos (urticária, angioedema) associados a sintomas respiratórios (estridor, dispneia) ou cardiovasculares (choque) após exposição a um alérgeno (como a fórmula láctea) configura um quadro de anafilaxia.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal. Sua incidência tem aumentado, e é crucial que profissionais de saúde, especialmente pediatras e emergencistas, saibam reconhecê-la e tratá-la prontamente. Em lactentes, a alergia alimentar, como a alergia à proteína do leite de vaca (APLV), é uma das causas mais comuns, e a exposição acidental ou introdução de novas fórmulas pode desencadear o quadro. O diagnóstico da anafilaxia é clínico, baseado na rápida instalação de sintomas após exposição a um alérgeno. Os critérios incluem envolvimento cutâneo/mucoso (urticária, angioedema) associado a comprometimento respiratório (dispneia, estridor, broncoespasmo) ou cardiovascular (hipotensão, síncope), ou sintomas gastrointestinais persistentes. O estridor inspiratório, como no caso, indica edema de vias aéreas superiores, um sinal de gravidade. A conduta inicial e mais importante é a administração de adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa. A dose padrão é de 0,01 mg/kg (máximo de 0,5 mg), podendo ser repetida a cada 5-15 minutos se não houver melhora. Anti-histamínicos e corticoides são adjuvantes, mas não substituem a adrenalina, que é o único fármaco capaz de reverter a fisiopatologia da anafilaxia e salvar a vida do paciente.
Sinais de anafilaxia em lactentes incluem urticária, angioedema (especialmente periorbitário e labial), dispneia, estridor, vômitos e, em casos graves, hipotensão ou choque. A rápida progressão dos sintomas após exposição a um alérgeno é um forte indicativo.
A adrenalina intramuscular é a primeira escolha porque atua rapidamente nos receptores alfa e beta-adrenérgicos, revertendo a broncoconstrição, o edema de vias aéreas, a vasodilatação e a hipotensão, além de inibir a liberação de mediadores inflamatórios.
A anafilaxia se diferencia pela presença de sintomas sistêmicos graves, como comprometimento respiratório (dispneia, estridor), cardiovascular (hipotensão, taquicardia) ou gastrointestinal severo, além das manifestações cutâneas. Reações menos graves geralmente se limitam a sintomas cutâneos isolados.
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