Manejo da Anafilaxia Pediátrica: Conduta e Adrenalina

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Um menino de 5 anos de idade, previamente hígido, foi levado ao pronto atendimento após picada de abelha, apresentando dor abdominal intensa, vômitos repetidos. Ao exame: PA 75x45 mmHg; FC: 145 bpm; e sem urticária ou angioedema. Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a conduta adequada para o caso.

Alternativas

  1. A) Administrar adrenalina 0,01 mg/kg (solução 1:1000) via intramuscular, na face ântero lateral da coxa, repetir a cada 5 a 15 minutos se necessário, manter o paciente em decúbito dorsal com pernas elevadas e monitorização contínua.
  2. B) Administrar adrenalina 0,1 mg/kg (solução 1:1000) via subcutânea, repetir a cada 5 a 15 minutos se necessário, manter em posição sentada para aliviar desconforto abdominal.
  3. C) Administrar adrenalina 0,01 mg/kg (solução 1:10.000) via intramuscular na face ântero‐lateral da coxa, repetir a cada 5 a 15 minutos se necessário, manter em decúbito lateral esquerdo para evitar broncoaspiração.
  4. D) Administrar adrenalina 0,01 mg/kg (solução 1:10.000) via endovenosa em bolus, seguida de soro fisiológico 20 mL/kg, manter o paciente em decúbito dorsal com pernas elevadas e monitorização contínua.
  5. E) Administrar metilprednisolona 2 mg/kg e dexclorfeniramina 0,15 mg/kg, manter o paciente em decúbito dorsal com pernas elevadas e monitorização contínua.

Pérola Clínica

Anafilaxia → Adrenalina IM 0,01 mg/kg (1:1000) no vasto lateral + Decúbito dorsal.

Resumo-Chave

O diagnóstico de anafilaxia é clínico e não exige manifestações cutâneas. A adrenalina IM é a droga de escolha imediata para estabilização hemodinâmica e respiratória.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave e potencialmente fatal. Em pediatria, picadas de insetos e alimentos são gatilhos comuns. O quadro pode se manifestar sem sinais cutâneos em até 20% dos casos, apresentando-se apenas com sintomas gastrointestinais e instabilidade hemodinâmica. O reconhecimento precoce do choque distributivo é vital. A adrenalina atua como antagonista fisiológico dos mediadores inflamatórios, promovendo vasoconstrição (alfa-1), redução do edema de glote e broncodilatação (beta-2). O posicionamento em decúbito dorsal com pernas elevadas otimiza o retorno venoso e previne a 'síndrome do ventrículo vazio', que pode levar à parada cardiorrespiratória súbita se o paciente for colocado em posição ortostática.

Perguntas Frequentes

Por que a via IM é preferida na anafilaxia?

A via intramuscular no vasto lateral da coxa proporciona picos plasmáticos de adrenalina mais rápidos e consistentes do que a via subcutânea, sendo crucial na emergência para reverter o colapso circulatório e respiratório de forma eficaz.

Como diagnosticar anafilaxia sem urticária?

O diagnóstico é clínico, baseado no envolvimento de dois ou mais sistemas (ex: gastrointestinal e cardiovascular) após exposição a alérgeno provável, ou hipotensão isolada após exposição a alérgeno conhecido, mesmo na ausência de sinais cutâneos.

Qual a diluição correta da adrenalina IM?

Deve-se usar a solução 1:1000 (1mg/mL) sem diluição adicional, na dose de 0,01 mg/kg, respeitando o limite máximo de 0,3mg em crianças e 0,5mg em adultos, repetindo a cada 5-15 minutos se necessário.

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