Anafilaxia Pediátrica: Critérios e Manejo de Emergência

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026

Enunciado

Um paciente de 8 anos de idade é levado às pressas ao pronto atendimento devido à edema labial. Os pais relatam que estavam em um almoço de família quando notaram a alteração. Relatam que durante trajeto o paciente apresentou vários episódios de vômitos. Ao exame físico, você nota ausência de urticária, ausculta respiratória sem alterações e pressão normal para idade. Diante do caso e do tema, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria e a World Allergy Organization, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Trata-se de um quadro de anafilaxia, devendo ser instituída terapia com adrenalina endovenosa. O corticoide e o antialérgico devem ser prescritos desde que não atrasem a administração da adrenalina.
  2. B) Trata-se de um provável quadro de reação alérgica grave, mas ainda não fecha critérios de anafilaxia, faltando o surgimento de envolvimento cutâneo e respiratório. Deve ser prescrito antialérgico e avaliar corticoterapia.
  3. C) Trata-se de quadro de anafilaxia, devendo ser administrada adrenalina intramuscular imediatamente. Caso não haja resposta adequada à primeira dose, ela poderá ser repetida via intramuscular após 5 a 15 minutos.
  4. D) Trata-se de quadro de reação alérgica moderada, e deve ser administrado anti-histamínico e corticoide sistêmico. Em caso de sintoma respiratório, administrar adrenalina inalatória na dose de 0,01 mg/kg de peso corporal. O paciente deve ser mantido em observação para avaliar resposta ao tratamento inicial por pelo menos 4 a 6 horas.

Pérola Clínica

2+ sistemas (ex: Pele + TGI) após alérgeno = Anafilaxia → Adrenalina IM imediata.

Resumo-Chave

A anafilaxia é um diagnóstico clínico; o envolvimento de dois ou mais sistemas (pele/mucosa e gastrointestinal) após exposição a provável alérgeno confirma o quadro.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, potencialmente fatal, de início rápido. Em pediatria, os gatilhos alimentares são os mais comuns. O reconhecimento precoce é vital, pois a demora na administração da adrenalina é o principal fator de risco para óbito. Diferente do que muitos acreditam, a ausência de urticária não exclui o diagnóstico (ocorre em até 20% dos casos). O envolvimento do trato gastrointestinal (vômitos repetitivos, dor abdominal) em conjunto com angioedema labial após ingestão alimentar preenche os critérios para anafilaxia. A via intramuscular é preferida à subcutânea devido à absorção mais rápida e níveis plasmáticos mais altos e estáveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos atuais para anafilaxia?

Segundo a WAO, a anafilaxia é altamente provável quando há início agudo de sintomas na pele/mucosas associado a pelo menos um dos seguintes: comprometimento respiratório, queda da pressão arterial ou disfunção de órgãos-alvo. Também é diagnosticada quando há dois ou mais sistemas envolvidos (pele, respiratório, circulatório ou gastrointestinal) após exposição a um alérgeno provável.

Qual a dose e via correta da adrenalina na anafilaxia?

A dose recomendada é de 0,01 mg/kg (máximo de 0,3 mg em crianças e 0,5 mg em adolescentes/adultos) de adrenalina 1:1000, administrada obrigatoriamente por via INTRAMUSCULAR na face anterolateral da coxa (vasto lateral).

Qual o papel dos corticoides e anti-histamínicos no tratamento?

Eles são terapias de segunda linha. Os anti-histamínicos ajudam nos sintomas cutâneos (urticária/prurido), e os corticoides podem prevenir reações bifásicas, mas nenhum deles substitui a adrenalina ou trata a obstrução de vias aéreas e o choque.

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