Anafilaxia Pediátrica: Reconhecimento e Manejo Imediato

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino, 5 anos de idade, enquanto aguardava por avaliação na antessala de consultório oftalmológico, recebeu gotas de colírios anestésico e para a dilatação das pupilas. Após 5 minutos da aplicação dos medicamentos, as pálpebras e os lábios incharam, apareceram placas eritematosas em pescoço e a respiração se tornou trabalhosa com esforço inspiratório. A conduta indicada para o quadro é

Alternativas

  1. A) transferir para serviço de emergência em ambulância.
  2. B) aplicar epinefrina 0,01 mg/kg IM.
  3. C) administrar prednisolona 1 mg/kg.
  4. D) administrar cetirizina 5 mg e ranitidina 1 mg/kg.
  5. E) administrar difenidramina 1,25 mg/kg.

Pérola Clínica

Início agudo de urticária/angioedema + dificuldade respiratória pós-exposição a alérgeno = Anafilaxia. Conduta = Epinefrina IM.

Resumo-Chave

O quadro de inchaço de pálpebras e lábios (angioedema), placas eritematosas (urticária) e, crucialmente, dificuldade respiratória com esforço inspiratório, após a exposição a um agente (colírio), configura uma reação anafilática grave. A epinefrina intramuscular é a medicação de primeira linha e mais importante no tratamento da anafilaxia, devendo ser administrada imediatamente.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que exige reconhecimento imediato e tratamento urgente. Em crianças, pode ser desencadeada por alimentos, picadas de insetos, medicamentos (como os colírios no caso) e látex. Os sinais incluem urticária, angioedema, broncoespasmo, hipotensão e sintomas gastrointestinais. A rápida progressão dos sintomas respiratórios ou cardiovasculares é um alerta crítico. O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença de sintomas agudos envolvendo dois ou mais sistemas orgânicos após exposição a um alérgeno conhecido ou provável. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios de mastócitos e basófilos. A suspeita deve ser alta em qualquer criança com início súbito de urticária/angioedema associado a dificuldade respiratória ou sintomas de choque. A epinefrina intramuscular é o tratamento de primeira linha e mais eficaz para a anafilaxia, devendo ser administrada sem demora. A dose é de 0,01 mg/kg (solução 1:1000) na face anterolateral da coxa, podendo ser repetida. Anti-histamínicos e corticoides são terapias adjuvantes para aliviar sintomas cutâneos e prevenir recorrências, mas não substituem a epinefrina. A transferência para um serviço de emergência é essencial após a estabilização inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para anafilaxia em crianças?

Anafilaxia é diagnosticada pela presença de sintomas agudos em dois ou mais sistemas (pele, respiratório, gastrointestinal, cardiovascular) após exposição a um alérgeno, ou hipotensão/broncoespasmo isolado em pacientes com exposição conhecida.

Qual a dose e via de administração da epinefrina para anafilaxia em crianças?

A dose recomendada de epinefrina é de 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg) da solução 1:1000, administrada por via intramuscular na face anterolateral da coxa. Pode ser repetida a cada 5-15 minutos se não houver melhora.

Por que a epinefrina é a medicação de primeira linha na anafilaxia e não os anti-histamínicos?

A epinefrina atua rapidamente como vasoconstritor, broncodilatador e inotrópico, revertendo os efeitos sistêmicos da anafilaxia e salvando vidas. Anti-histamínicos e corticoides são adjuvantes, mas não tratam as manifestações graves como hipotensão e broncoespasmo.

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