Anafilaxia: Manejo Inicial e Conduta no Pronto-Socorro

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 26 anos admitida no Pronto-Socorro com quadro de edema de lábios, língua, com certa dificuldade para falar acompanhado de rash cutâneo difuso e prurido de início há cerca de 1h. A ausculta respiratória apresentava sibilos mesotele-expiratórios difusos com esforço respiratório leve. Estável hemodinamicamente. Com relação ao quadro clínico descrito, assinale a conduta inicial MAIS adequada a ser adotada.

Alternativas

  1. A) Deve-se administrar adrenalina subcutânea acompanhada de corticoide venoso.
  2. B) Deve-se administrar corticoide venoso, anti-histamínico venoso e nebulização com broncodilatadores.
  3. C) Deve-se administrar adrenalina intramuscular, anti-histamínico venoso e nebulização com broncodilatadores.
  4. D) Deve-se administrar glucagon venoso, vasopressina venosa além de corticoide e anti- histaminico.

Pérola Clínica

Anafilaxia com comprometimento de vias aéreas → Adrenalina IM é a primeira e mais importante conduta.

Resumo-Chave

A anafilaxia é uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e tratamento imediato com adrenalina intramuscular. Mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis, a presença de comprometimento de vias aéreas (edema de lábios/língua, sibilos) indica gravidade e a necessidade de adrenalina para reverter a broncoconstrição e o angioedema.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que pode ocorrer após exposição a alérgenos como alimentos, medicamentos ou picadas de insetos. É crucial o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas, que podem incluir urticária, angioedema (especialmente de lábios, língua e glote), broncoespasmo (sibilos, dispneia), hipotensão e choque. A epidemiologia mostra uma incidência crescente, sendo uma das principais emergências atendidas em pronto-socorros. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios por mastócitos e basófilos, como histamina, leucotrienos e triptase, que causam vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, broncoconstrição e contração da musculatura lisa. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de sintomas cutâneos, respiratórios, cardiovasculares ou gastrointestinais após exposição a um gatilho. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente com início súbito de sintomas multissistêmicos. O tratamento da anafilaxia é uma emergência médica e a conduta inicial mais importante é a administração de adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa. A adrenalina atua como agonista alfa e beta-adrenérgico, revertendo a vasodilatação, o broncoespasmo e o angioedema. Terapias adjuvantes incluem anti-histamínicos (H1 e H2), corticoides e broncodilatadores inalatórios, mas nunca devem atrasar a administração da adrenalina. O prognóstico é bom com tratamento rápido e adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de anafilaxia que indicam gravidade?

Sinais de anafilaxia grave incluem comprometimento das vias aéreas (edema de lábios, língua, glote, estridor, sibilos), dificuldade respiratória, hipotensão, choque e alteração do nível de consciência.

Por que a adrenalina intramuscular é a primeira escolha no tratamento da anafilaxia?

A adrenalina é o tratamento de primeira linha porque atua rapidamente como agonista alfa e beta-adrenérgico, revertendo a vasodilatação, o broncoespasmo, o angioedema e a hipotensão, salvando vidas.

Como diferenciar uma reação alérgica leve de uma anafilaxia?

A anafilaxia envolve dois ou mais sistemas orgânicos (ex: pele e respiratório) ou hipotensão/choque, enquanto reações leves geralmente se restringem a um sistema, como urticária localizada sem comprometimento sistêmico.

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