Anafilaxia Pediátrica: Diagnóstico e Tratamento de Emergência

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Arthur, de quatro anos de idade, foi levado por sua mãe ao pronto-socorro infantil com história de ter iniciado quadro de vômitos e diarreia (mais de cinco episódios) havia uma hora. Segundo a mãe, durante o trajeto ao pronto-socorro, Arthur começou a apresentar lesões na pele, por todo o corpo, junto com desconforto respiratório. No exame físico, foram observadas as seguintes alterações significativas: lesões urticariformes na face, nos membros superiores e no tórax; murmúrios vesiculares diminuídos com sibilos bilateralmente; tiragem subcostal e tiragem de fúrcula; tempo de enchimento capilar de cinco segundos. O paciente foi, então, levado para a sala de emergência, monitorizado, com oferta de oxigênio em máscara não reinalante e com um acesso venoso periférico. Foram observados os seguintes sinais vitais: frequência cardíaca = 120 bpm; frequência respiratória = 65 ipm; pressão arterial = 70 mmHg × 40 mmHg; saturação de O₂ = 83% em ar ambiente.Nesse caso clínico, o paciente deve receber, imediatamente,

Alternativas

  1. A) prometazina endovenosa.
  2. B) adrenalina intramuscular.
  3. C) hidrocortisona endovenosa.
  4. D) metilprednisolona endovenosa.
  5. E) salbutamol endovenoso.

Pérola Clínica

Anafilaxia pediátrica com hipotensão e broncoespasmo → Adrenalina IM imediata, dose 0,01 mg/kg (máx 0,5 mg).

Resumo-Chave

Este caso descreve um quadro de anafilaxia grave em criança, caracterizado por sintomas cutâneos (urticária), respiratórios (sibilos, tiragens, Sat O₂ baixa) e circulatórios (hipotensão, TPC prolongado). A adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha e deve ser administrada imediatamente para reverter a progressão do choque e do broncoespasmo.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave e potencialmente fatal, que requer reconhecimento e tratamento imediatos. Em pediatria, a apresentação pode ser variada, mas a presença de sintomas cutâneos, respiratórios e circulatórios simultâneos deve levantar alta suspeita. A rápida progressão do quadro clínico, como observado no caso, com hipotensão e comprometimento respiratório, indica uma emergência médica. A fisiopatologia da anafilaxia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios por mastócitos e basófilos, levando a vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, broncoespasmo e espasmo da musculatura lisa gastrointestinal. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de sintomas agudos que afetam múltiplos sistemas após exposição a um alérgeno conhecido ou provável. A hipotensão é um sinal de choque anafilático e indica gravidade. O tratamento de escolha e mais importante é a adrenalina intramuscular, que deve ser administrada sem demora. Ela age nos receptores alfa e beta-adrenérgicos, promovendo vasoconstrição (aumentando a pressão arterial), broncodilatação e reduzindo o edema de vias aéreas. Anti-histamínicos e corticoides são terapias adjuvantes, mas não substituem a adrenalina. O suporte ventilatório e a reposição volêmica com cristaloides também são cruciais no manejo do choque.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de anafilaxia grave em crianças?

Os sinais de anafilaxia grave em crianças incluem urticária generalizada, angioedema, desconforto respiratório (sibilos, estridor, tiragens), hipotensão, taquicardia e tempo de enchimento capilar prolongado.

Qual a dose e via de administração da adrenalina na anafilaxia pediátrica?

A dose recomendada de adrenalina na anafilaxia pediátrica é de 0,01 mg/kg (1:1000, 1 mg/mL) por via intramuscular, com dose máxima de 0,5 mg. A via intramuscular é preferencial devido à rápida absorção.

Por que a adrenalina é o tratamento de primeira linha para anafilaxia?

A adrenalina atua rapidamente como vasoconstritor, broncodilatador e inibidor da liberação de mediadores inflamatórios, revertendo os principais sintomas da anafilaxia, como hipotensão e broncoespasmo.

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