Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Unidade de resgate traz à sala de emergência do pronto-socorro criança de 3 anos, que, após ter comido um “salgadinho” em uma festa de aniversário, há cerca de 20 minutos, apresentou diminuição de consciência, dificuldade respiratória com estridor laríngeo e edema de lábios e língua. Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular presente com alguns poucos sibilos. Também apresenta placas urticariformes em nádegas e coxa direita. A conduta inicial mais adequada é
Anafilaxia grave (comprometimento via aérea/circulatório) → Adrenalina IM imediata. Não atrasar!
A criança apresenta um quadro de anafilaxia grave, com comprometimento respiratório (estridor, sibilos), cutâneo (urticária) e neurológico (diminuição de consciência), além de edema de lábios e língua. A adrenalina intramuscular é a medicação de escolha e deve ser administrada imediatamente em caso de anafilaxia com sinais de gravidade.
A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave e potencialmente fatal, que se manifesta rapidamente após a exposição a um alérgeno. Em crianças, as alergias alimentares são as causas mais comuns. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é crucial para um desfecho favorável, e a condição exige uma resposta imediata e coordenada da equipe de emergência. Os critérios diagnósticos incluem o envolvimento de dois ou mais sistemas (pele, respiratório, gastrointestinal, cardiovascular) ou hipotensão após exposição a um alérgeno conhecido. No caso apresentado, a criança exibe comprometimento respiratório (estridor, sibilos), cutâneo (urticária) e neurológico (diminuição de consciência), além de edema de lábios e língua, configurando um quadro grave de anafilaxia. A conduta inicial e mais importante é a administração de adrenalina intramuscular, que deve ser feita sem demora. Outras medidas incluem manter a via aérea pérvia, oxigenoterapia, acesso venoso e expansão volêmica com solução salina se houver hipotensão, e administração de anti-histamínicos e corticosteroides como terapias adjuvantes, mas nunca em substituição à adrenalina. A educação dos pais e cuidadores sobre o uso de autoinjetores de adrenalina é fundamental para prevenir futuras emergências.
Sinais de anafilaxia grave em crianças incluem dificuldade respiratória (estridor, sibilos, dispneia), comprometimento circulatório (hipotensão, taquicardia, palidez), diminuição do nível de consciência, edema de lábios, língua ou garganta, e urticária generalizada ou angioedema.
A adrenalina intramuscular é a primeira escolha porque atua rapidamente como vasoconstritor, broncodilatador e estabilizador de mastócitos, revertendo a vasodilatação, o broncoespasmo e a liberação de mediadores inflamatórios que causam os sintomas da anafilaxia. Outras medicações são adjuvantes.
A dose recomendada de adrenalina para anafilaxia pediátrica é de 0,01 mg/kg (máximo de 0,5 mg) da solução 1:1000, administrada por via intramuscular na face anterolateral da coxa. Pode ser repetida a cada 5-15 minutos se não houver melhora clínica.
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