Anafilaxia: Diagnóstico Rápido e Tratamento com Adrenalina

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2020

Enunciado

Escolar de 10 anos de idade trazido ao pronto-socorro com queixa, há 2 horas, de desconforto respiratório. Na avaliação inicial, o paciente está com taquidispneia e com estridor laríngeo e sibilos expiratórios. Restante do exame clínico é normal, apresentando, nas áreas expostas, lesões eritematosas, em placa, que desaparecem à digitopressão, confluentes, as quais a mãe refere ter aparecido hoje, após paciente ter ingerido frutos do mar. A partir da história e dos achados clínicos, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Intoxicação alimentar. Deve permanecer em observação para avaliar surgimento de acometimento gastrointestinal.
  2. B) Crise de asma, de início tardio. Iniciar formoterol + budesonida por via inalatória.
  3. C) Disfunção paradoxal de pregas vocais. Indicar fonoterapia.
  4. D) Anafilaxia, estando indicada a realização de adrenalina intramuscular.
  5. E) Crise de ansiedade generalizada. Encaminhar os pais e a criança para psicoterapia. No momento, manter a criança internada.

Pérola Clínica

Anafilaxia: início súbito + envolvimento cutâneo/mucoso + respiratório/cardiovascular/gastrointestinal → Adrenalina IM é 1ª linha.

Resumo-Chave

A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave e potencialmente fatal, caracterizada por início rápido e envolvimento de múltiplos sistemas. A presença de urticária, estridor e sibilos após exposição a um alérgeno (frutos do mar) é altamente sugestiva. A adrenalina intramuscular é o tratamento de escolha e deve ser administrada prontamente para reverter a progressão dos sintomas.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma emergência médica grave, com alta morbimortalidade se não tratada prontamente. É uma reação de hipersensibilidade sistêmica e rápida, que pode ser fatal. A prevalência tem aumentado, e a identificação precoce é crucial para o sucesso do tratamento. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais e sintomas característicos, que incluem manifestações cutâneas (urticária, angioedema), respiratórias (sibilos, estridor, dispneia), cardiovasculares (hipotensão, taquicardia) e gastrointestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal), geralmente após exposição a um alérgeno conhecido ou suspeito. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios (histamina, triptase, leucotrienos) por mastócitos e basófilos, levando a vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, broncoconstrição e espasmo da musculatura lisa. O diagnóstico é clínico e rápido, sem necessidade de exames complementares para iniciar o tratamento. A suspeita deve ser alta em pacientes com início súbito de sintomas em múltiplos sistemas após exposição a um gatilho. A adrenalina intramuscular (epinefrina) é o tratamento de primeira linha e deve ser administrada o mais rápido possível na face anterolateral da coxa, pois retarda a progressão e reverte os sintomas. O prognóstico da anafilaxia depende da rapidez do reconhecimento e da administração da adrenalina. Após a administração da adrenalina, o paciente deve ser monitorado e pode necessitar de doses adicionais, além de suporte com oxigênio, fluidos intravenosos e, em alguns casos, anti-histamínicos e corticoides como terapias adjuvantes. A educação do paciente sobre prevenção e uso de autoinjetor de adrenalina é fundamental para evitar futuros episódios e complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da anafilaxia?

A anafilaxia se manifesta com início súbito de sintomas cutâneos (urticária, angioedema), respiratórios (estridor, sibilos, dispneia), cardiovasculares (hipotensão, taquicardia) e gastrointestinais (vômitos, dor abdominal), geralmente após exposição a um alérgeno.

Por que a adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha para anafilaxia?

A adrenalina é um agonista alfa e beta-adrenérgico que atua rapidamente, causando vasoconstrição (aumenta a pressão arterial), broncodilatação (melhora a respiração) e diminuição da liberação de mediadores inflamatórios, sendo crucial para reverter os sintomas graves da anafilaxia.

Como diferenciar anafilaxia de outras reações alérgicas menos graves?

A anafilaxia se distingue pela presença de sintomas sistêmicos e progressivos, envolvendo dois ou mais sistemas orgânicos (ex: pele e respiratório) ou hipotensão, enquanto reações alérgicas leves geralmente se restringem a sintomas cutâneos localizados.

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