Anafilaxia Pediátrica: Diagnóstico e Manejo Urgente

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020

Enunciado

Alice de 3 anos, é recebida na sala de emergência após ter sido picada por uma abelha há cerca de 10 minutos. Mãe refere intensa irritabilidade. Exame físico: FC= 136 bpm; FR= 50 irpm; rubor facial e estridor laríngeo; Face: edema de lábios e língua; Pulmões: murmúrio vesicular presente e simétrico bilateralmente e alguns sibilos; Pele: placas de urticária. Qual o diagnóstico e a conduta mais apropriados neste momento?

Alternativas

  1. A) Angioedema, corticoide endovenoso.
  2. B) Anafilaxia, adrenalina intramuscular.
  3. C) Alergia a picada de inseto, dexclorferinamina oral.
  4. D) Urticária, loratadina oral.

Pérola Clínica

Anafilaxia pediátrica com comprometimento via aérea/circulatório → Adrenalina IM imediata.

Resumo-Chave

A anafilaxia é uma reação alérgica grave e sistêmica com risco de vida, caracterizada por rápida progressão e envolvimento de múltiplos sistemas. A presença de estridor, sibilos e edema de vias aéreas, juntamente com sinais cutâneos e taquicardia, indica a necessidade urgente de adrenalina intramuscular, que é o tratamento de primeira linha.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que ocorre após a exposição a um alérgeno. É uma emergência médica comum, especialmente em pediatria, com incidência crescente. O reconhecimento precoce e a intervenção imediata são cruciais para prevenir desfechos graves, sendo fundamental para a formação de residentes. A fisiopatologia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios de mastócitos e basófilos, levando a broncoespasmo, edema de laringe, vasodilatação e extravasamento capilar. O diagnóstico é clínico, baseado na rápida progressão de sintomas em dois ou mais sistemas (pele, respiratório, cardiovascular, gastrointestinal) após a exposição a um gatilho. Estridor, sibilos, hipotensão e urticária generalizada são sinais de alerta. O tratamento de escolha é a adrenalina intramuscular, que deve ser administrada sem demora na face anterolateral da coxa. Outras medidas incluem suporte ventilatório, fluidos intravenosos e, em alguns casos, anti-histamínicos e corticosteroides, embora estes não substituam a adrenalina. A educação dos pacientes e familiares sobre o uso de autoinjetores de adrenalina é vital para a prevenção de futuras crises.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para anafilaxia em crianças?

Anafilaxia é diagnosticada pela presença de sintomas agudos em dois ou mais sistemas (pele, respiratório, gastrointestinal, cardiovascular) após exposição a um alérgeno, ou hipotensão isolada após exposição conhecida.

Qual a dose e via de administração da adrenalina para anafilaxia pediátrica?

A dose recomendada de adrenalina é de 0,01 mg/kg (máximo 0,5 mg) da solução 1:1000, administrada por via intramuscular na face anterolateral da coxa. Pode ser repetida a cada 5-15 minutos se necessário.

Por que a adrenalina é o tratamento de primeira linha na anafilaxia?

A adrenalina é um agonista alfa e beta-adrenérgico que reverte a broncoconstrição, o edema de vias aéreas, a vasodilatação e a hipotensão, sendo o único medicamento que atua em todos os mecanismos fisiopatológicos da anafilaxia.

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