HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2023
Na anafilaxia, caso o paciente use uma droga betabloqueadora, qual a opção terapêutica que também precisa ser considerada?
Anafilaxia em paciente betabloqueado → Adrenalina + considerar Glucagon (se refratário ou hipotensão persistente).
Pacientes em uso de betabloqueadores podem ter uma resposta atenuada ou refratária à adrenalina no tratamento da anafilaxia, devido ao bloqueio dos receptores beta-adrenérgicos. Nesses casos, o glucagon deve ser considerado como uma opção terapêutica adicional, pois atua independentemente dos receptores beta-adrenérgicos, aumentando o AMP cíclico e melhorando a contratilidade miocárdica e a pressão arterial.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que exige reconhecimento e tratamento imediatos. A adrenalina (epinefrina) intramuscular é o tratamento de primeira linha e mais eficaz para a anafilaxia, atuando como um agonista alfa e beta-adrenérgico para reverter os sintomas. No entanto, o manejo pode ser complexo em subgrupos específicos de pacientes. Um desafio particular surge em pacientes que fazem uso crônico de betabloqueadores. Esses medicamentos podem exacerbar a anafilaxia e, mais criticamente, atenuar a resposta terapêutica à adrenalina. Isso ocorre porque os betabloqueadores bloqueiam os receptores beta-adrenérgicos, impedindo a ação broncodilatadora e vasodilatadora da adrenalina, além de poderem agravar a hipotensão e o broncoespasmo. Nesses casos, o glucagon emerge como uma opção terapêutica crucial. O glucagon atua através de um mecanismo diferente, estimulando a adenilato ciclase independentemente dos receptores beta-adrenérgicos, o que leva a um aumento do AMP cíclico e melhora da contratilidade miocárdica e da pressão arterial. Portanto, em pacientes betabloqueados com anafilaxia refratária à adrenalina, especialmente com hipotensão persistente, a administração de glucagon deve ser prontamente considerada como terapia adjuvante.
Os betabloqueadores antagonizam os efeitos da adrenalina nos receptores beta-adrenérgicos, especialmente os beta-2, que são responsáveis pela broncodilatação e vasodilatação. Isso pode levar a uma resposta atenuada à adrenalina, resultando em broncoespasmo e hipotensão mais graves e refratários.
O glucagon atua estimulando a adenilato ciclase diretamente, independentemente dos receptores beta-adrenérgicos. Isso leva a um aumento do AMP cíclico intracelular, resultando em efeitos inotrópicos e cronotrópicos positivos no coração e melhora da pressão arterial, mesmo na presença de betabloqueadores.
O glucagon deve ser considerado em pacientes com anafilaxia grave que estão em uso de betabloqueadores e que não respondem adequadamente às doses repetidas de adrenalina, especialmente se apresentarem hipotensão persistente e broncoespasmo refratário.
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