DIU de Cobre: Mecanismos, Riscos e Uso em HIV+

UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2020

Enunciado

AMS, 27 anos optou pela inserção de dispositivo intrauterino (DIU) de cobre em forma de T- 380 A. A médica assistente deu para o residente as informações abaixo em relação ao DIU. Marque qual opção mostra uma informação incorreta.

Alternativas

  1. A) Reação inflamatória local tornando o endométrio hostil à implantação é um dos principais mecanismos de ação do DIU.
  2. B) Nas pacientes que evoluírem com abcesso tubo-ovariano, o DIU deve ser removido imediatamente após ter-se iniciado cobertura sistêmica com antibióticos.
  3. C) Aproximadamente 5% das mulheres irão expelir espontaneamente o DIU durante o primeiro ano de uso.
  4. D) Em relação a perfuração uterina, sua frequência depende das habilidades do operador, uma perfuração parcial no momento da inserção pode ser seguida por migração do dispositivo atravessando toda a parede uterina.
  5. E) O DIU não deve ser inserido em pacientes portadoras do vírus da imunodeficiência humana (HIV- positivas) pelo maior risco de infecção, maiores taxas de complicações e interferência na terapia antirretroviral.

Pérola Clínica

DIU de cobre: não contraindicado em HIV+ bem controladas; abcesso tubo-ovariano → remover DIU após ATB.

Resumo-Chave

O DIU de cobre é um método contraceptivo altamente eficaz e seguro para a maioria das mulheres, incluindo aquelas com HIV bem controlado. É crucial conhecer seus mecanismos de ação, riscos (como perfuração e expulsão) e manejo de complicações, como infecções pélvicas.

Contexto Educacional

O dispositivo intrauterino (DIU) de cobre é um método contraceptivo reversível de longa duração, altamente eficaz e amplamente utilizado globalmente. Seu mecanismo de ação principal envolve a indução de uma reação inflamatória local no endométrio, que cria um ambiente hostil aos espermatozoides e óvulos, impedindo a fertilização e, secundariamente, a implantação. É crucial para o residente compreender os aspectos práticos de sua inserção, acompanhamento e manejo de possíveis complicações. As complicações associadas ao DIU incluem a expulsão espontânea, que ocorre em aproximadamente 5% das mulheres no primeiro ano de uso, e a perfuração uterina, uma complicação rara mas grave, cuja frequência depende da experiência do operador. Uma perfuração parcial pode evoluir para migração completa do dispositivo. Em casos de abcesso tubo-ovariano, o DIU deve ser removido, mas somente após o início da terapia antibiótica sistêmica para controlar a infecção. Um ponto importante e frequentemente questionado é o uso do DIU em pacientes portadoras do vírus da imunodeficiência humana (HIV-positivas). Atualmente, as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de outras entidades reconhecem que o DIU é um método seguro e eficaz para mulheres HIV-positivas que estão clinicamente estáveis, em uso de terapia antirretroviral e sem imunossupressão grave. Não há evidências de que o DIU aumente o risco de infecções pélvicas ou interfira na terapia antirretroviral nessas pacientes, tornando a alternativa E da questão incorreta.

Perguntas Frequentes

Qual o principal mecanismo de ação do DIU de cobre?

O DIU de cobre age principalmente causando uma reação inflamatória estéril no endométrio, que libera íons de cobre. Esses íons são espermicidas e alteram a motilidade e viabilidade dos espermatozoides, impedindo a fertilização e tornando o ambiente uterino hostil à implantação.

Como deve ser manejado um abcesso tubo-ovariano em uma paciente com DIU?

Em caso de abcesso tubo-ovariano, o tratamento inicial é com antibióticos sistêmicos. O DIU deve ser removido após o início da cobertura antibiótica, uma vez que ele pode servir como foco para a infecção persistente.

O DIU de cobre é seguro para mulheres HIV-positivas?

Sim, o DIU de cobre é considerado seguro e eficaz para mulheres HIV-positivas que estão clinicamente estáveis, em uso de terapia antirretroviral e sem imunossupressão grave. Não há evidências de aumento do risco de infecções pélvicas ou interferência na terapia antirretroviral.

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