INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Durante plantão na central de regulação de urgência, o técnico auxiliar de regulação médica transfere para o médico regulador uma chamada telefônica durante a qual ele deve orientar os cuidados iniciais para uma vítima de acidente de trabalho com serra elétrica. O paciente, um operário do sexo masculino, com 20 anos de idade, sofreu amputação do polegar direito e encon- tra-se consciente e orientado, apresentando sangramento local, que cessa à compressão manual do coto de amputação. Havendo a intenção de reimplante do membro amputado, além de cobrir o ferimento no coto com pano limpo, que orientações deverão ser dadas pelo médico regulador, por telefone, até a chegada da ambulância ao local do chamado e posterior condução do paciente à unidade hospitalar especializada?
Membro amputado → envolver em pano limpo + saco plástico + gelo (resfriamento indireto).
O sucesso do reimplante depende da preservação tecidual; o contato direto com gelo ou água causa lesão térmica e osmótica, inviabilizando a microcirurgia.
O manejo inicial de amputações traumáticas no ambiente pré-hospitalar é um determinante crítico do prognóstico funcional. A prioridade é sempre a estabilização do paciente (ABCDE do trauma), seguida pelo controle da hemorragia no coto. A técnica de 'resfriamento indireto' é o padrão-ouro: o membro nunca deve tocar o gelo diretamente para evitar o congelamento (frostbite), que destrói a microvasculatura necessária para as anastomoses. Para médicos reguladores e socorristas, a orientação clara por telefone pode salvar a viabilidade de um membro. Instruir o leigo a não lavar o membro com substâncias irritantes e a garantir o isolamento térmico adequado são passos fundamentais antes da chegada da equipe especializada.
O segmento amputado deve ser limpo suavemente com soro fisiológico ou água limpa, envolvido em uma gaze ou pano limpo umedecido e colocado dentro de um saco plástico estanque. Este saco deve então ser colocado dentro de um recipiente (caixa térmica ou outro saco) contendo uma mistura de água e gelo. O objetivo é manter a temperatura próxima a 4°C (isquemia fria), o que reduz o metabolismo tecidual e aumenta o tempo de viabilidade para reimplante sem causar congelamento.
Na maioria das amputações digitais ou de membros, a compressão direta e firme sobre o coto é suficiente para controlar a hemorragia. O uso de garrotes ou torniquetes deve ser reservado apenas para casos de sangramento arterial massivo e incontrolável, pois o garroteamento prolongado causa isquemia de tecidos sadios proximais, aumenta o dano tecidual e pode complicar a reconstrução cirúrgica posterior.
Para dedos (que possuem pouco tecido muscular), o tempo de isquemia quente tolerado é de cerca de 12 horas, enquanto a isquemia fria (resfriamento adequado) pode estender esse prazo para até 24 horas. Em amputações proximais (braço, coxa), onde há muita massa muscular sensível à isquemia, os tempos são muito menores (6h de isquemia quente e 12h de isquemia fria), tornando a agilidade no transporte e o resfriamento correto cruciais.
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