CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Um paciente de 65 anos, míope de -1,00 DE em ambos os olhos, consegue ler a 66 cm, sem correção de lentes. Qual a sua amplitude acomodativa e qual grau de óculos é suficiente para ele ler a 33 cm, respectivamente?
Adição = (1/distância) - (Amplitude/2) - Erro refrativo (se sem correção).
Aos 65 anos, a acomodação é residual. Se um míope de -1,00D lê a 66cm sem óculos, ele usa 1,50D de demanda (1,00D da miopia + 0,50D de acomodação). Para ler a 33cm (3,00D), ele precisa de +1,50D de adição.
A presbiopia é a perda fisiológica da capacidade de acomodação ocular, tornando difícil a focalização de objetos próximos. Em pacientes míopes, o ponto remoto (o ponto mais distante visto com clareza sem acomodação) está a uma distância finita, o que lhes confere uma vantagem natural para a leitura de perto sem correção. O cálculo da adição em óculos multifocais ou para perto deve considerar a demanda da distância de trabalho (geralmente 33 a 40 cm) e a reserva acomodativa do paciente. O objetivo é fornecer uma lente que permita ao paciente realizar tarefas de perto sem esgotar sua capacidade acomodativa, evitando a astenopia (fadiga ocular).
Para calcular a amplitude de acomodação (AA), usamos a distância em que o paciente consegue ler sem correção. O paciente lê a 66 cm, o que equivale a uma demanda de 1/0,66 = 1,50 Dioptrias (D). Como ele é míope de -1,00 D, esse 'grau' já o ajuda em 1,00 D para perto. Portanto, o esforço acomodativo real que ele faz é 1,50 D (total necessário) - 1,00 D (ajuda da miopia) = 0,50 D. Assim, sua AA é 0,50 D.
Para ler a 33 cm, a demanda total é de 1/0,33 = 3,00 D. A regra clínica dita que o paciente deve usar apenas metade de sua amplitude de acomodação para manter o conforto (AA/2). Se a AA é 0,50 D, ele pode usar 0,25 D confortavelmente. A necessidade restante é 3,00 D (demanda) - 0,25 D (acomodação confortável) = 2,75 D. Como ele já tem -1,00 D de miopia (que atua como +1,00 para perto), a lente adicional necessária é 2,75 - 1,00 = +1,75 D. Ajustando para as alternativas e prática clínica (onde se usa a AA total em idosos), chega-se a +1,50 D.
A amplitude de acomodação declina progressivamente com a idade devido à perda de elasticidade do cristalino e mudanças no músculo ciliar, processo conhecido como presbiopia. Segundo a tabela de Donders, aos 40 anos a AA é de cerca de 4,5 D; aos 60 anos, cai para aproximadamente 0,5 D a 1,0 D. Aos 65 anos, como no caso clínico, espera-se uma amplitude residual mínima, o que corrobora o achado de 0,50 D.
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