FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Uma primigesta, com 40 semanas e 1 dia de vida, compareceu ao pronto-socorro relatando perda de líquido vaginal que vinha ocorrendo há aproximadamente 20 horas, em moderada quantidade. A paciente referiu poucas cólicas irregulares, e desejava parto normal. O pré-natal apresentava-se de risco habitual, sem comorbidades. O exame físico apontou os dados a seguir: • Altura uterina: 37 cm. • BCF: 135-150 bpm, sem desacelerações. • Movimentação fetal presente. • Dinâmica uterina: 1 contração fraca a cada 10 minutos. • Toque vaginal: colo posterior; 2 cm; 40% apagado; e apresentação cefálica alta. Especular: saída de líquido claro, odor característico. • Bolsa rota confirmada. Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a conduta adequada para esse caso.
Bolsa rota > 18h + GBS desconhecido = Antibioticoprofilaxia + Indução (se colo desfavorável).
Na rotura prematura de membranas (RPMO) a termo, a conduta é a interrupção da gestação. Se o tempo de rotura exceder 18h, a profilaxia para GBS é mandatória se o status for desconhecido.
A rotura prematura de membranas (RPMO) a termo ocorre em cerca de 8% das gestações. O principal desafio clínico é o equilíbrio entre o risco infeccioso ascendente e os riscos de uma indução falha. A antibioticoprofilaxia, geralmente realizada com Penicilina G cristalina ou Ampicilina, visa prevenir a colonização e sepse neonatal precoce. A indução deve ser iniciada prontamente após o diagnóstico em gestações a termo. O uso de métodos mecânicos (como a sonda de Krause) é uma alternativa para maturação cervical, mas o misoprostol (vaginal ou oral em doses baixas) é amplamente validado e preferido para colos com Bishop < 6. A monitorização da frequência cardíaca fetal e da dinâmica uterina é essencial durante todo o processo de indução.
A profilaxia intraparto para o Estreptococo do Grupo B (GBS) está indicada na RPMO se: a paciente tiver cultura positiva prévia (35-37 semanas), história de recém-nascido anterior com sepse por GBS, bacteriúria por GBS na gestação atual ou, se o status for desconhecido, na presença de fatores de risco como febre intraparto (>38°C), prematuridade (<37 semanas) ou tempo de bolsa rota igual ou superior a 18 horas.
A escolha entre misoprostol e ocitocina depende das condições do colo uterino avaliadas pelo Índice de Bishop. No caso clínico, o colo está posterior, 2cm dilatado e a apresentação alta, sugerindo um colo desfavorável (Bishop baixo). O misoprostol é mais eficaz para a maturação cervical e indução em colos imaturos. A ocitocina é preferível quando o colo já apresenta características favoráveis (apagado, centrado e mais dilatado).
Embora a maioria das mulheres entre em trabalho de parto espontâneo em até 24h após a rotura, a conduta ativa (indução imediata) na RPMO a termo está associada a uma redução significativa nas taxas de corioamnionite, endometrite e admissão neonatal em UTI, sem aumentar as taxas de cesárea, em comparação com a conduta expectante prolongada.
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