Amiotrofia Espinhal (AME) em Lactentes: Sinais e Diagnóstico

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022

Enunciado

Lactente de 4 meses de vida, sexo masculino, gestação sem intercorrências, pais primos de primeiro grau, comparecem à consulta pediátrica devido a atraso do desenvolvimento, caracterizado por não sustento cervical, movimentação ativa pobre, porém mantém excelente contato fixando e seguindo com o olhar para todas as direções, sorriso social e esboço de balbucios. No exame físico, chama a atenção a fasciculação de língua, hiporreflexia aquileu, patelar e biciptal, respiração com esforço abdominal e sensório preservado.Diante do caso descrito, qual é a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Orientar fisioterapia e observar a evolução do paciente.
  2. B) Realizar tomografia de crânio.
  3. C) Pesquisar erros inatos do metabolismo.
  4. D) Solicitar imediatamente exame para Amiotrofia Espinhal (AME).

Pérola Clínica

Lactente com hipotonia, atraso motor, fasciculação de língua e hiporreflexia → suspeitar AME tipo 1.

Resumo-Chave

A Amiotrofia Espinhal (AME) tipo 1, ou doença de Werdnig-Hoffmann, é uma doença neuromuscular grave de herança autossômica recessiva, frequentemente associada à consanguinidade. A apresentação clássica inclui hipotonia progressiva, atraso motor, fasciculações de língua e hiporreflexia, com preservação do sensório e contato visual, o que a diferencia de outras encefalopatias. O diagnóstico precoce é crucial para o início de terapias modificadoras da doença.

Contexto Educacional

A Amiotrofia Espinhal (AME) é um grupo de doenças neuromusculares genéticas que afetam os neurônios motores da medula espinhal, levando à fraqueza muscular progressiva e atrofia. A AME tipo 1, também conhecida como doença de Werdnig-Hoffmann, é a forma mais grave e comum, manifestando-se nos primeiros meses de vida. Sua prevalência é de aproximadamente 1 em cada 10.000 nascidos vivos, sendo uma das principais causas genéticas de mortalidade infantil. O reconhecimento precoce é vital para a intervenção terapêutica que pode alterar o curso da doença. A fisiopatologia da AME envolve a deficiência da proteína de sobrevivência do neurônio motor (SMN), causada por mutações no gene SMN1. A suspeita diagnóstica surge em lactentes com hipotonia, atraso motor, fasciculações de língua e hiporreflexia, com preservação das funções cognitivas. A história de consanguinidade dos pais reforça a suspeita. O diagnóstico é confirmado por teste genético que detecta a deleção homozigótica do éxon 7 do gene SMN1. O tratamento da AME tem evoluído rapidamente com o advento de terapias modificadoras da doença, como o nusinersena, onasemnogene abeparvoveque e risdiplam, que visam aumentar a produção da proteína SMN. O prognóstico, antes sombrio, tem melhorado significativamente com o início precoce dessas terapias. O manejo também inclui suporte multidisciplinar com fisioterapia, terapia ocupacional, suporte nutricional e respiratório, visando melhorar a qualidade de vida e prolongar a sobrevida dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da Amiotrofia Espinhal (AME) tipo 1 em lactentes?

Os principais sinais incluem hipotonia progressiva, atraso no desenvolvimento motor (como não sustentar a cervical), fraqueza muscular generalizada, fasciculações da língua, hiporreflexia profunda e respiração abdominal paradoxal. O sensório e o contato visual geralmente são preservados.

Por que a consanguinidade dos pais é um fator relevante no diagnóstico de AME?

A AME é uma doença genética de herança autossômica recessiva, o que significa que ambos os pais devem ser portadores do gene mutado para que a criança desenvolva a doença. A consanguinidade aumenta significativamente a probabilidade de que ambos os pais compartilhem o mesmo gene recessivo mutado, elevando o risco de AME.

Qual a conduta diagnóstica inicial diante da suspeita de Amiotrofia Espinhal em um lactente?

Diante da forte suspeita clínica de AME, a conduta inicial e mais adequada é solicitar imediatamente o exame genético para pesquisa da deleção ou mutação no gene SMN1. Este teste é confirmatório e essencial para o diagnóstico precoce e início das terapias modificadoras da doença.

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