Efeitos Colaterais dos Aminoglicosídeos: Ototoxicidade

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2011

Enunciado

Qual dos efeitos colaterais abaixo é mais esperado pelo uso sistêmico de um antibiótico aminoglicosídeo?

Alternativas

  1. A) Ototoxicidade
  2. B) Anemia
  3. C) Síndrome de Stevens-Johnson
  4. D) Miastenia grave

Pérola Clínica

Aminoglicosídeos → Ototoxicidade (irreversível) + Nefrotoxicidade (geralmente reversível).

Resumo-Chave

Os aminoglicosídeos são bactericidas que inibem a síntese proteica (subunidade 30S). Seus principais efeitos adversos são a toxicidade auditiva/vestibular e renal por acúmulo tecidual.

Contexto Educacional

Os aminoglicosídeos (como gentamicina, amicacina e tobramicina) são pilares no tratamento de infecções graves por gram-negativos aeróbios. Sua farmacocinética é marcada por baixa absorção oral e eliminação renal exclusiva por filtração glomerular. O monitoramento terapêutico é crucial, especialmente em idosos ou pacientes com disfunção renal prévia. Clinicamente, a ototoxicidade pode se manifestar como zumbido, perda auditiva de altas frequências ou vertigem. A nefrotoxicidade manifesta-se tipicamente após 5-7 dias de uso, com aumento da creatinina e perda da capacidade de concentração urinária. A escolha da dose única diária visa reduzir a toxicidade mantendo a eficácia dependente de concentração.

Perguntas Frequentes

Por que os aminoglicosídeos causam ototoxicidade?

A ototoxicidade ocorre devido ao acúmulo do fármaco na perilinfa e endolinfa, levando à destruição progressiva das células ciliadas da cóclea (perda auditiva) e do aparelho vestibular (desequilíbrio). Esse dano é frequentemente irreversível porque as células ciliadas não se regeneram em humanos.

Qual a diferença entre a nefrotoxicidade e a ototoxicidade destes fármacos?

A nefrotoxicidade é causada pelo acúmulo nas células do túbulo proximal, resultando em necrose tubular aguda, mas geralmente é reversível após a suspensão do fármaco. Já a ototoxicidade envolve lesão sensorial neural e tende a ser definitiva.

Existe risco de bloqueio neuromuscular com aminoglicosídeos?

Sim, embora menos comum que as toxicidades renal e auditiva, os aminoglicosídeos podem inibir a liberação pré-sináptica de acetilcolina e reduzir a sensibilidade pós-sináptica, podendo exacerbar quadros de Miastenia Gravis ou prolongar o efeito de relaxantes musculares.

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