Amenorreia Secundária: Diagnóstico e Teste de Progesterona

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 31 anos está sendo investigada por amenorreia secundária. O exame de gravidez é negativo, não faz uso de medicamentos, nega alterações de peso, alterações neurológicas, saída de leite pelas mamas ou procedimento cirúrgico recente. O exame de prolactina, da tireoide e do hormônio estimulante do folículo estavam dentro da normalidade. Após ter utilizado 10 mg de acetato de medroxiprogesterona por via oral por 10 dias, a paciente teve um sangramento pela vagina, que durou só um dia. A hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) Síndrome dos ovários policísticos.
  2. B) Síndrome de Kallmann.
  3. C) Insuficiência ovariana prematura.
  4. D) Insensibilidade aos androgênios.

Pérola Clínica

Amenorreia secundária + teste de progesterona positivo (sangramento) + FSH/prolactina/tireoide normais → Anovulação crônica, comum na SOP.

Resumo-Chave

Um teste de progesterona positivo (sangramento após uso de progesterona) indica que há estrogênio endógeno suficiente para proliferar o endométrio e que o trato de saída está pérvio. Com FSH, prolactina e tireoide normais, a causa mais provável da amenorreia é a anovulação crônica, característica da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

Contexto Educacional

A amenorreia secundária, definida como a ausência de menstruação por três ciclos consecutivos ou por seis meses em mulheres com ciclos previamente regulares, requer uma investigação sistemática. O primeiro passo é sempre excluir gravidez. Após isso, a avaliação hormonal é crucial, incluindo prolactina, TSH e FSH. No caso apresentado, os níveis normais de prolactina, TSH e FSH eliminam causas como hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana e insuficiência ovariana prematura, respectivamente. O teste de progesterona, que consiste na administração de um progestágeno por alguns dias e observação de sangramento de privação, é o próximo passo para avaliar a presença de estrogênio endógeno e a integridade do trato de saída. Um teste de progesterona positivo (sangramento de privação) indica que há estrogênio suficiente para proliferar o endométrio e que o trato de saída está funcional. Neste cenário, a causa mais provável da amenorreia é a anovulação crônica, sendo a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) a condição mais comum associada a essa apresentação, caracterizada por disfunção ovulatória e, frequentemente, hiperandrogenismo.

Perguntas Frequentes

O que o teste de progesterona positivo indica na amenorreia secundária?

Um teste de progesterona positivo (sangramento após a retirada do progestágeno) indica que o endométrio foi estimulado por estrogênio endógeno e que o trato de saída está pérvio, sugerindo anovulação crônica como causa da amenorreia.

Quais são os critérios diagnósticos para Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

Os critérios de Rotterdam incluem dois dos três: oligo-ovulação ou anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas.

Por que a Insuficiência Ovariana Prematura (IOP) é menos provável neste caso?

A IOP seria caracterizada por níveis elevados de FSH, indicando falha ovariana. Como o FSH da paciente está normal, a IOP é uma hipótese menos provável.

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