FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2015
Paciente com quadro clínico de amenorreia, exames físico e ginecológico normais, e excluída a gravidez, que quando submetida ao teste do estrogênio e progesterona não apresenta sangramento, tem como hipótese o diagnóstico de lesão do compartimento:
Amenorreia + testes de progesterona e estrogênio/progesterona negativos (sem sangramento) → lesão do compartimento uterino (ex: Síndrome de Asherman).
Quando uma paciente com amenorreia não apresenta sangramento após o teste de progesterona e, posteriormente, também não sangra após o teste combinado de estrogênio e progesterona, isso indica que o problema não está na falta de hormônios ovarianos ou hipofisários, mas sim na incapacidade do endométrio de responder ou na obstrução do fluxo menstrual, apontando para uma lesão no compartimento uterino.
A amenorreia, definida como a ausência de menstruação, é classificada em primária (nunca menstruou) e secundária (cessação da menstruação após um período de ciclos regulares). A investigação da amenorreia secundária é fundamental na ginecologia e envolve uma série de etapas para identificar a causa subjacente, que pode estar em diferentes compartimentos do eixo hipotálamo-hipófise-ovário-útero. A exclusão de gravidez é sempre o primeiro passo. Os testes hormonais, como o teste de progesterona e o teste combinado de estrogênio e progesterona, são ferramentas diagnósticas cruciais. O teste de progesterona avalia a presença de estrogênio endógeno e a capacidade do endométrio de responder. Se não houver sangramento, o próximo passo é o teste de estrogênio e progesterona. A ausência de sangramento após este teste combinado, que fornece estímulo hormonal direto ao endométrio, é um forte indicativo de que o problema reside no compartimento uterino, ou seja, no próprio útero. Lesões do compartimento uterino, como a Síndrome de Asherman (sinéquias intrauterinas) ou estenose cervical, impedem a proliferação endometrial adequada ou a saída do fluxo menstrual, mesmo com níveis hormonais normais. A Síndrome de Asherman é frequentemente causada por procedimentos intrauterinos como curetagens. O diagnóstico é confirmado por histeroscopia ou histerossalpingografia, e o tratamento geralmente envolve a lise das sinéquias. A compreensão desses testes e compartimentos é essencial para o raciocínio clínico na investigação da amenorreia.
O teste de progesterona avalia a presença de estrogênio endógeno suficiente para proliferar o endométrio. Se houver sangramento após a retirada da progesterona, indica que há estrogênio e um útero responsivo, sugerindo anovulação como causa da amenorreia.
A ausência de sangramento após a administração de estrogênio (para proliferar o endométrio) e progesterona (para induzir a descamação) indica que o problema não é hormonal. Isso aponta para uma falha do compartimento uterino, como sinéquias (Síndrome de Asherman) ou estenose cervical, que impedem a resposta endometrial ou a saída do fluxo menstrual.
As principais causas incluem a Síndrome de Asherman (sinéquias intrauterinas), que geralmente resulta de traumas endometriais como curetagens pós-aborto ou pós-parto, e a estenose cervical, que impede o fluxo menstrual de sair. Ambas resultam na incapacidade do útero de sangrar, mesmo com estímulo hormonal adequado.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo