Amenorreia Secundária: Diagnóstico e Manejo da SOP

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023

Enunciado

NAS, 18 anos, procura o serviço de ginecologia do Hospital Universitário devido quadro de amenorreia secundária (5 meses). História de ciclos oligomenorreicos. Vida sexual ativa. MAC: condom. Ao exame físico, caracteres sexuais e somáticos compatíveis, sobrepeso, hirsutismo e exame ginecológico sem alterações. Assinale a alternativa mais adequada ao caso:

Alternativas

  1. A) Síndrome anovulatória, solicitar exames laboratoriais e de imagem.
  2. B) Disgenesia gonadal, indicado cariótipo e perfil hormonal.
  3. C) Distúrbio do desenvolvimento sexual, solicitar cariótipo.
  4. D) Má formação dos dutos mesonéfricos, solicitar exame de imagem.
  5. E) Gravidez, solicitar USTV.

Pérola Clínica

Amenorreia secundária + oligomenorreia + hirsutismo + sobrepeso → forte suspeita de SOP (síndrome anovulatória).

Resumo-Chave

O quadro clínico de amenorreia secundária, oligomenorreia, hirsutismo e sobrepeso em uma paciente jovem é altamente sugestivo de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), que é uma das principais causas de síndrome anovulatória. A investigação deve incluir exames laboratoriais (perfil hormonal) e de imagem (ultrassonografia pélvica) para confirmar o diagnóstico e excluir outras causas.

Contexto Educacional

A amenorreia secundária, definida como a ausência de menstruação por um período de 3 a 6 meses em mulheres que já menstruaram regularmente, é um sintoma comum na ginecologia. Quando associada a oligomenorreia (ciclos menstruais irregulares e espaçados), hirsutismo (excesso de pelos em padrão masculino) e sobrepeso, o diagnóstico de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) torna-se a principal hipótese. A SOP é uma endocrinopatia complexa, caracterizada por anovulação crônica e hiperandrogenismo. A investigação de uma paciente com esse perfil deve ser abrangente. Inicialmente, é fundamental excluir gravidez. Em seguida, um perfil hormonal completo é necessário para avaliar os níveis de androgênios (testosterona total e livre, DHEA-S), prolactina, TSH e 17-hidroxiprogesterona para descartar outras causas de hiperandrogenismo e anovulação, como hiperprolactinemia, hipotireoidismo ou hiperplasia adrenal congênita de início tardio. A ultrassonografia pélvica é essencial para avaliar a morfologia ovariana e a presença de ovários policísticos. O manejo da SOP é individualizado e visa tratar os sintomas predominantes, como irregularidade menstrual, hirsutismo e infertilidade, além de abordar as comorbidades metabólicas. Para residentes, é crucial dominar a propedêutica e o raciocínio diagnóstico diferencial das amenorreias e síndromes hiperandrogênicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três: oligo/anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas de hiperandrogenismo ou disfunção menstrual.

Quais exames laboratoriais são indicados na investigação de amenorreia secundária e hirsutismo?

Devem ser solicitados: beta-hCG (para excluir gravidez), TSH, prolactina, testosterona total e livre, SHBG, DHEA-S, 17-hidroxiprogesterona (para excluir hiperplasia adrenal congênita de início tardio), entre outros, conforme a suspeita clínica.

Qual o papel da ultrassonografia pélvica no diagnóstico da SOP?

A ultrassonografia pélvica avalia a morfologia ovariana, buscando a presença de múltiplos folículos pequenos (12 ou mais, 2-9mm) e/ou aumento do volume ovariano (>10 cm³), que são critérios para ovários policísticos, embora não sejam obrigatórios para o diagnóstico se outros critérios estiverem presentes.

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