Amenorreia e Hiperprolactinemia: Investigação da Sela Túrcica

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 35 anos, em amenorreia secundária de 16 meses, realiza exames laboratoriais para investigação. Os seguintes resultados são apresentados: LH = 5,2 UI/L; FSH = 6,5 UI/L; estradiol = 12 pg/ml e prolactina = 102 ng/ml. Considerando esses exames, qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Iniciar terapia hormonal após descartar contraindicações.
  2. B) Solicitar ultrassonografia transvaginal para confirmar diagnóstico de ovários policísticos.
  3. C) Conduta expectante considerando o resultado dos exames. 
  4. D) Iniciar anticoncepção hormonal combinada.
  5. E) Solicitar exames de imagem da sela túrcica.

Pérola Clínica

Amenorreia + prolactina > 100 ng/ml → investigar prolactinoma com imagem da sela túrcica.

Resumo-Chave

A hiperprolactinemia é uma causa comum de amenorreia secundária, e níveis de prolactina acima de 100 ng/ml são altamente sugestivos de prolactinoma (tumor secretor de prolactina na hipófise). Nesses casos, a conduta mais adequada é solicitar exames de imagem da sela túrcica, como a ressonância magnética, para confirmar o diagnóstico e avaliar o tamanho do tumor.

Contexto Educacional

A amenorreia secundária, definida como a ausência de menstruação por três ciclos consecutivos ou seis meses em mulheres que já menstruaram, é um sintoma comum que requer investigação detalhada. A hiperprolactinemia, ou seja, níveis elevados de prolactina no sangue, é uma das causas mais frequentes de amenorreia e infertilidade. A prolactina é um hormônio produzido pela hipófise, e sua elevação pode inibir a secreção de GnRH, levando à supressão do eixo hipotálamo-hipófise-ovário e, consequentemente, à amenorreia e hipoestrogenismo. A fisiopatologia da hiperprolactinemia pode ser variada, incluindo causas fisiológicas (gravidez, lactação, estresse), farmacológicas (antipsicóticos, antidepressivos, anti-hipertensivos), hipotireoidismo e, mais importante para esta questão, tumores hipofisários secretores de prolactina (prolactinomas). Níveis de prolactina acima de 100 ng/ml são fortemente sugestivos de prolactinoma. O diagnóstico diferencial é crucial para determinar a conduta adequada. Diante de uma paciente com amenorreia secundária e hiperprolactinemia significativa (como 102 ng/ml), a conduta mais adequada é solicitar exames de imagem da sela túrcica, preferencialmente uma ressonância magnética (RM) da hipófise. A RM permite visualizar a presença, tamanho e extensão de um prolactinoma. O tratamento dos prolactinomas é geralmente clínico, com agonistas dopaminérgicos como a cabergolina ou bromocriptina, que reduzem os níveis de prolactina e o tamanho do tumor. A terapia hormonal pode ser considerada após o controle da hiperprolactinemia e se o hipoestrogenismo persistir, mas nunca antes da investigação etiológica completa.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de amenorreia secundária?

As principais causas de amenorreia secundária incluem gravidez, disfunções do eixo hipotálamo-hipófise-ovário (como hiperprolactinemia, síndrome dos ovários policísticos, estresse, exercício excessivo), falência ovariana prematura e anormalidades uterinas ou cervicais.

Qual o significado de uma prolactina de 102 ng/ml em uma paciente com amenorreia?

Níveis de prolactina acima de 100 ng/ml em uma paciente com amenorreia são altamente sugestivos de um prolactinoma, um tumor benigno da hipófise que secreta prolactina. Níveis mais baixos podem ser causados por medicamentos, hipotireoidismo ou outras condições.

Por que a imagem da sela túrcica é crucial na hiperprolactinemia?

A imagem da sela túrcica, preferencialmente a ressonância magnética, é crucial para visualizar a hipófise e identificar a presença de um prolactinoma. Isso permite avaliar o tamanho do tumor, sua relação com estruturas adjacentes e guiar o tratamento, que geralmente é clínico com agonistas dopaminérgicos.

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