UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 23a, nuligesta, apresenta ciclos menstruais irregulares e sua última menstruação foi há́ nove meses. Nega atividade sexual há́ três anos. Não faz uso de método contraceptivo. Nega patologias, uso de medicações ou de substâncias psicoativas. Exame físico: PA=102/70mmHg; IMC=19Kg/m², exame físico geral e ginecológico sem anormalidades. Exames laboratoriais: hCG negativo; FSH=0,3mUI/mL; prolactina=15ng/mL; TSH=2,5mUI/mL.A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Amenorreia secundária + FSH baixo + Prolactina e TSH normais → Hipogonadismo hipogonadotrófico, pensar em amenorreia hipotalâmica funcional.
A amenorreia secundária com FSH baixo e níveis normais de prolactina e TSH sugere um problema no eixo hipotálamo-hipófise, caracterizando hipogonadismo hipogonadotrófico. A amenorreia hipotalâmica funcional, frequentemente associada a estresse, exercício físico excessivo ou baixo peso, é a causa mais comum nesse cenário, especialmente em uma paciente jovem e nuligesta com IMC baixo-normal.
A amenorreia secundária, definida como a ausência de menstruação por três ciclos consecutivos ou por seis meses em mulheres que já menstruaram regularmente, é uma queixa comum na prática ginecológica. A investigação diagnóstica envolve uma abordagem sistemática para identificar a causa subjacente, que pode variar desde condições fisiológicas (gravidez) até distúrbios complexos do eixo hipotálamo-hipófise-ovário. A dosagem de hormônios como hCG, FSH, prolactina e TSH é fundamental para direcionar o diagnóstico. No caso apresentado, a paciente com amenorreia secundária, hCG negativo, FSH muito baixo (0,3 mUI/mL) e níveis normais de prolactina e TSH, aponta para um quadro de hipogonadismo hipogonadotrófico. Isso significa que os ovários não estão sendo adequadamente estimulados devido a uma falha na produção de gonadotrofinas (FSH e LH) pela hipófise, que por sua vez pode ser resultado de uma disfunção hipotalâmica. A prolactina e o TSH normais descartam hiperprolactinemia e hipotireoidismo como causas diretas. A hipótese diagnóstica mais provável nesse cenário, especialmente em uma paciente jovem, nuligesta e com IMC normal-baixo, é a amenorreia hipotalâmica funcional. Esta condição é frequentemente associada a fatores como estresse psicológico, restrição calórica, baixo peso corporal e exercício físico intenso, que suprimem a liberação pulsátil de GnRH pelo hipotálamo. O tratamento envolve a correção dos fatores desencadeantes e, se necessário, a indução da ovulação para pacientes que desejam engravidar, ou terapia de reposição hormonal para manter a saúde óssea e cardiovascular.
As causas de amenorreia secundária são variadas e podem ser classificadas em problemas no ovário (insuficiência ovariana primária), na hipófise (adenomas, hipopituitarismo), no hipotálamo (amenorreia hipotalâmica funcional, tumores), ou no trato de saída (síndrome de Asherman). Causas sistêmicas como hipotireoidismo e hiperprolactinemia também devem ser investigadas.
FSH baixo em um quadro de amenorreia secundária indica um problema no hipotálamo ou na hipófise (hipogonadismo hipogonadotrófico), pois essas glândulas não estão produzindo GnRH ou FSH/LH adequadamente para estimular os ovários. Isso contrasta com a insuficiência ovariana primária, onde o FSH estaria elevado devido à falha ovariana.
A amenorreia hipotalâmica funcional é uma causa comum de hipogonadismo hipogonadotrófico, caracterizada pela supressão da liberação de GnRH pelo hipotálamo. Fatores de risco incluem estresse psicológico, exercício físico excessivo, baixo peso corporal, distúrbios alimentares (como anorexia nervosa) e mudanças rápidas de peso. É um diagnóstico de exclusão após descartar outras causas orgânicas.
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