Amenorreia Secundária Pós-Curetagem: Diagnóstico e Manejo

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 26 anos, G3P1A2 (fez 2 curetagens uterinas evacuadoras, a última há 11 meses). Procura Unidade Básica de Saúde queixando-se de falta de menstruação, quadro esse iniciado há 9 meses. Não faz anticoncepção e nega uso de outros medicamentos. Paciente deseja engravidar. Refere telarca aos 11 anos e menarca aos 13 anos. Antecedentes menstruais: ciclos menstruais regulares pós-menarca. Antecedentes pessoais: nega cirurgia, etilismo e tabagismo. Fez 3 exames do Beta HCG que foram todos negativos, sendo o último há 10 dias. Traz os seguintes exames realizados há 1 semana: FSH 8 mUI/mL, prolactina 10 ng/mL, TSH 2,5 mUI/mL, T4 livre 1,2 ng/dL, testosterona total 60 ng/dL. Peso: 62 kg, altura 1,58 m. IMC: 24,89. Exame físico: sem alterações. Exame ginecológico: mamas sem alterações. Órgãos genitais externos (OGE): pilificação normal para sexo e idade. Formações labiais normais. Especular: conteúdo escasso. Colo epitelizado. Toque: colo cartilaginoso, útero em anteversoflexão (AVF) de tamanho normal. Anexos e paramétrios não palpáveis. Teste do estrogênio + progestogênio foi negativo. Nesse caso, qual a causa da amenorreia secundária, o método terapêutico e a conduta, respectivamente?

Alternativas

  1. A) Hipotalâmica (síndrome de Simmonds), teste do GnRH e prescrição de gonadotrofinas.
  2. B) Uterina (síndrome de Asherman), histerossalpingografia e histeroscopia para lise de aderências.
  3. C) Hipofisária (síndrome de Asherman), ressonância magnética da hipófise e prescrição de gonadotrofina de mulher menopausada.
  4. D) Gonadal (síndrome dos ovários policísticos), ecografia pélvica endovaginal e solicitação de LH para ver relação LH/FSH com prescrição de citrato de clomifeno.
  5. E) Vaginal (síndrome de Sheehan), histerossalpingografia e histeroscopia para lise de aderências.

Pérola Clínica

Amenorreia secundária pós-curetagem + teste progesterona negativo = suspeitar Síndrome de Asherman (aderências uterinas).

Resumo-Chave

A paciente apresenta amenorreia secundária após duas curetagens uterinas, com exames hormonais normais e teste de progesterona negativo, indicando que o problema não é hormonal, mas sim no órgão-alvo (útero). A síndrome de Asherman, caracterizada por aderências intrauterinas após trauma (como curetagem), é a causa mais provável, sendo diagnosticada por histerossalpingografia e tratada por histeroscopia.

Contexto Educacional

A amenorreia secundária é definida como a ausência de menstruação por um período de três ciclos menstruais ou seis meses em mulheres que já menstruaram regularmente. Seu diagnóstico diferencial é amplo e exige uma investigação sistemática, começando pela exclusão de gravidez e avaliação hormonal. No caso apresentado, a paciente tem histórico de curetagens uterinas e exames hormonais normais (FSH, prolactina, TSH, T4 livre, testosterona), além de um teste de estrogênio + progestogênio negativo. Um teste de progestogênio negativo, na presença de estrogênio endógeno (indicado pelos exames normais e menarca prévia), sugere que o problema não é a falta de hormônios, mas sim uma falha na resposta do endométrio ou uma obstrução mecânica. O histórico de curetagens aponta fortemente para a síndrome de Asherman, caracterizada por aderências intrauterinas que obliteram a cavidade endometrial. O diagnóstico da síndrome de Asherman é feito por métodos que visualizam a cavidade uterina, como a histerossalpingografia (para avaliar a permeabilidade) e, principalmente, a histeroscopia, que é o padrão-ouro. O tratamento consiste na lise histeroscópica das aderências, muitas vezes seguida de medidas para prevenir a recorrência, como a inserção de um DIU ou uso de estrogênio. Para residentes, é crucial correlacionar o histórico clínico com os achados laboratoriais para direcionar a investigação e o tratamento adequados.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de amenorreia secundária?

As causas de amenorreia secundária são variadas, incluindo gravidez, disfunções hipotalâmicas (estresse, exercício excessivo), hipofisárias (prolactinoma), ovarianas (SOP, falência ovariana precoce) e uterinas (síndrome de Asherman).

Como o histórico de curetagem uterina se relaciona com a síndrome de Asherman?

A curetagem uterina, especialmente se repetida ou traumática, é um fator de risco significativo para o desenvolvimento da síndrome de Asherman, que são aderências intrauterinas que impedem o fluxo menstrual e a gravidez.

Qual o papel da histeroscopia no diagnóstico e tratamento da síndrome de Asherman?

A histeroscopia é o padrão-ouro para o diagnóstico e tratamento da síndrome de Asherman, permitindo a visualização direta das aderências e sua lise cirúrgica, restaurando a cavidade uterina.

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