Amenorreia Secundária: Diagnóstico de Hipogonadismo Hipogonadotrófico

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 27 anos apresenta amenorreia há 4 meses, sem outras queixas. Refere menarca aos 14 anos, com ciclos regulares até um ano atrás, quando os intervaloscomeçaram a ficar mais longos. Nunca engravidou. Pratica atividade física diária intensa (corrida, musculação e ciclismo). Ao exame físico, não foram constatadas alterações. Na investigação diagnóstica, apresentou os seguintes resultados: dosagem de prolactina normal; Beta-HCG sérico negativo; FSH e LH séricos diminuídos; estrogênio sérico diminuído; níveis séricos de androgênios normais; ressonância nuclear magnética de crânio normal; ultrassonografia pélvica transvaginal com útero em anteversoflexão com miométrio homogêneo, volume de 80 cm³, eco endometrial 3 mm, ovário D com volume de 3 cm³, ovário E com volume de 3 cm³. Diante do quadro exposto, a paciente apresenta

Alternativas

  1. A)  síndrome dos ovários policísticos.
  2. B) síndrome de Sheehan.
  3. C) hipogonadismo hipogonadotrófico.
  4. D) hipogonadismo hipergonadotrófico.

Pérola Clínica

Amenorreia + FSH/LH ↓ + Estrogênio ↓ + Prolactina normal = Hipogonadismo hipogonadotrófico.

Resumo-Chave

A paciente apresenta amenorreia secundária com níveis baixos de FSH, LH e estrogênio, e prolactina normal, o que é característico de hipogonadismo hipogonadotrófico. A atividade física intensa é um fator etiológico comum para a amenorreia hipotalâmica funcional, uma forma de hipogonadismo hipogonadotrófico.

Contexto Educacional

A amenorreia secundária, definida como a ausência de menstruação por um período de três ciclos ou seis meses em mulheres que já menstruaram regularmente, é uma queixa comum na ginecologia. A investigação diagnóstica é crucial para identificar a causa subjacente e instituir o tratamento adequado, visando restaurar a função menstrual e prevenir complicações a longo prazo, como osteopenia ou infertilidade. A fisiopatologia da amenorreia pode ser classificada com base nos níveis de gonadotrofinas (FSH e LH). No caso de hipogonadismo hipogonadotrófico, há uma falha na produção de GnRH pelo hipotálamo ou de FSH/LH pela hipófise, levando a níveis baixos dessas gonadotrofinas e, consequentemente, a uma baixa produção de estrogênio pelos ovários. A amenorreia hipotalâmica funcional, frequentemente associada a estresse, exercício físico intenso e baixo peso, é uma causa comum desse tipo de hipogonadismo, onde o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal é suprimido. O diagnóstico diferencial da amenorreia secundária é amplo e deve seguir uma abordagem sistemática. Após excluir gravidez e hiperprolactinemia, a dosagem de FSH, LH e estrogênio é fundamental. Níveis baixos de todas essas hormônios, como no caso da paciente, apontam para uma disfunção central (hipotálamo ou hipófise). A ressonância magnética de crânio é importante para excluir lesões hipofisárias ou hipotalâmicas. O tratamento dependerá da causa, podendo incluir modificações no estilo de vida, reposição hormonal ou tratamento de condições subjacentes. Para residentes, é vital compreender a cascata hormonal e como os níveis de FSH/LH direcionam o diagnóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hipogonadismo hipogonadotrófico em mulheres?

As causas incluem amenorreia hipotalâmica funcional (estresse, exercício excessivo, baixo peso), tumores hipofisários (prolactinomas, adenomas não funcionantes), síndrome de Kallmann e outras condições hipotalâmicas/hipofisárias.

Como a atividade física intensa pode levar à amenorreia?

A atividade física intensa, especialmente quando associada a baixo peso e estresse, pode suprimir o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, resultando em diminuição da secreção de GnRH, LH e FSH, levando à amenorreia.

Qual a importância de excluir a gravidez e hiperprolactinemia na investigação da amenorreia?

A gravidez é a causa mais comum de amenorreia e deve ser sempre excluída. A hiperprolactinemia também é uma causa comum e tratável de amenorreia, por isso a dosagem de prolactina é essencial na investigação inicial.

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