Amenorreia Primária: Diagnóstico de Agenesia de Ductos de Müller

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Adolescente de 17 anos, em amenorreia primária, comparece à unidade básica de saúde com ultrassonografia evidenciando ausência de útero. As características sexuais secundárias são normais. Um provável diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) hiperplasia adrenal congênita
  2. B) agenesia de ductos de Müller
  3. C) disgenesia gonadal pura
  4. D) mutação de gene SRY

Pérola Clínica

Amenorreia primária + útero ausente + caracteres sexuais secundários normais = Agenesia de Ductos de Müller (RMKH).

Resumo-Chave

A agenesia de ductos de Müller, ou Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (RMKH), é a causa mais comum de amenorreia primária em pacientes com cariótipo 46,XX, desenvolvimento mamário normal e ausência de útero e terço superior da vagina. A presença de características sexuais secundárias normais indica função ovariana preservada.

Contexto Educacional

A amenorreia primária é definida como a ausência de menarca em meninas com 13 anos sem desenvolvimento de caracteres sexuais secundários, ou com 15 anos com desenvolvimento de caracteres sexuais secundários. A agenesia de ductos de Müller, também conhecida como Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (RMKH), é a segunda causa mais comum de amenorreia primária, afetando aproximadamente 1 em cada 4.500 a 5.000 nascimentos femininos. É crucial para o residente saber identificar essa condição devido às suas implicações reprodutivas e psicossociais. A fisiopatologia da RMKH envolve um desenvolvimento anormal dos ductos de Müller durante a embriogênese, que são os precursores do útero, tubas uterinas e terço superior da vagina. No entanto, os ovários, que derivam de uma estrutura embriológica diferente, desenvolvem-se normalmente e produzem hormônios sexuais, resultando em características sexuais secundárias normais. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica de amenorreia primária e confirmado por ultrassonografia ou ressonância magnética que evidenciam a ausência de útero. O cariótipo 46,XX é essencial para descartar outras condições. O tratamento da RMKH foca em duas principais questões: a criação de uma neovagina para permitir a relação sexual, que pode ser feita por dilatação progressiva ou cirurgia, e o suporte psicológico para a paciente e sua família, dada a infertilidade inerente à condição. Embora a gravidez não seja possível, a paciente pode considerar opções como a adoção ou a gestação por substituição (barriga de aluguel) utilizando seus próprios óvulos, se desejar ter filhos biológicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (RMKH)?

Os critérios incluem amenorreia primária em uma adolescente com cariótipo 46,XX, desenvolvimento normal das características sexuais secundárias (mamas e pelos pubianos), e ausência congênita de útero e terço superior da vagina, confirmada por exames de imagem.

Como diferenciar a agenesia de ductos de Müller de outras causas de amenorreia primária com ausência de útero?

A diferenciação se baseia principalmente na presença de características sexuais secundárias normais na RMKH, indicando ovários funcionantes e produção hormonal adequada. Em outras condições, como a Síndrome de Insensibilidade Androgênica Completa, as características sexuais secundárias podem ser diferentes ou o cariótipo ser 46,XY.

Quais são as implicações clínicas e o manejo da agenesia de ductos de Müller?

As implicações incluem infertilidade devido à ausência de útero e a necessidade de tratamento para a agenesia vaginal, geralmente por dilatação ou cirurgia, para permitir a atividade sexual. O aconselhamento psicológico é fundamental para o suporte emocional da paciente.

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