HCE - Hospital Central do Exército (RJ) — Prova 2015
Uma paciente com 20 anos de idade procura a consulta ginecológica por nunca ter menstruado. Ao exame físico, não apresenta causa anatômica demonstrável para amenorreia, além de não apresentar caracteres sexuais secundários. A mesma trouxe uma dosagem de FSH (Hormônio folículo-estimulante) elevada. Dentre as hipóteses diagnósticas abaixo, qual é a mais provável para o referido caso?
Amenorreia primária + ausência caracteres sexuais + FSH ↑ = Disgenesia Gonadal Pura (cariótipo normal).
A combinação de amenorreia primária, ausência de desenvolvimento de caracteres sexuais secundários e FSH elevado em uma paciente de 20 anos sugere falência ovariana primária, sendo a disgenesia gonadal pura a hipótese mais provável quando o cariótipo é normal.
A amenorreia primária é definida como a ausência de menarca aos 13 anos na ausência de caracteres sexuais secundários, ou aos 15 anos na presença de caracteres sexuais secundários. Sua investigação é complexa e exige uma abordagem sistemática. A presença de FSH elevado em uma paciente com amenorreia primária e ausência de desenvolvimento puberal aponta para uma falência ovariana primária, onde os ovários não respondem adequadamente aos estímulos gonadotróficos da hipófise. Dentre as causas de falência ovariana primária, a disgenesia gonadal pura é uma condição em que as gônadas são rudimentares (em fita) e não produzem hormônios sexuais, apesar de um cariótipo feminino normal (46,XX) ou masculino (46,XY) com fenótipo feminino. Diferencia-se da Síndrome de Turner (45,X) pela ausência das anomalias somáticas e pela presença de cariótipo euploide. A Síndrome de Kallmann, por outro lado, cursa com hipogonadismo hipogonadotrófico (FSH baixo). O diagnóstico precoce é crucial para o aconselhamento genético, reposição hormonal e manejo de potenciais complicações, como o risco de gonadoblastoma em pacientes com disgenesia gonadal XY. Para residentes, o raciocínio diagnóstico baseado em idade, desenvolvimento puberal e níveis hormonais (FSH, LH, estrogênio) é fundamental para guiar a investigação e o manejo adequado dessas pacientes.
Os achados incluem amenorreia primária, ausência de desenvolvimento de caracteres sexuais secundários (mamas, pelos pubianos) e níveis séricos elevados de FSH, indicando falência ovariana primária com gônadas disgenéticas.
A diferenciação envolve a análise do cariótipo. Na disgenesia gonadal pura, o cariótipo é tipicamente 46,XX ou 46,XY (neste caso, com fenótipo feminino), enquanto outras causas como Síndrome de Turner apresentam cariótipos anormais (ex: 45,X).
O FSH elevado indica uma falha primária dos ovários em responder ao estímulo hipofisário, sugerindo uma insuficiência ovariana. Isso ajuda a diferenciar de causas centrais (hipotalâmicas/hipofisárias) onde o FSH seria baixo ou normal.
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