FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2023
Brenda tem 17 anos e está um pouco triste por nunca ter menstruado. Seus caracteres sexuais secundários são normais. Seu ginecologista a informou que ela não conseguirá engravidar de forma natural, mas que sempre deve usar preservativo de forma segura para não "pegar" ISTs. De comorbidade ela informa que teve um tumor cerebral aos 7 anos de idade e foi submetida a cirurgia, quimioterapia e radioterapia cerebral. Informa que faz uso de um medicamento de forma contínua, mas não lembra o nome. O exame ginecológico é normal, assim como seu ultrassom transvaginal. Considerando que os mecanismos reguladores da menstruação estão diretamente relacionados a esteroidogêneseos marque a alternativa CORRETA quanto a origem da amenorreia;I. Hipotalâmica;II. Hipofisária;III. Ovariana;IV. Canalicular.
Amenorreia primária + caracteres sexuais normais + histórico de radioterapia cerebral → forte suspeita de causa central (hipotalâmica/hipofisária), embora o gabarito aponte para origem ovariana.
A amenorreia primária com caracteres sexuais secundários normais e ultrassom normal, especialmente com histórico de radioterapia cerebral, classicamente sugere uma causa central (hipotalâmica ou hipofisária). Contudo, se a origem for ovariana (conforme gabarito), implicaria uma disfunção na esteroidogênese ovariana que impede a menstruação cíclica, mesmo com produção basal de estrogênio para caracteres sexuais.
Amenorreia primária é a ausência de menarca. A paciente apresenta caracteres sexuais secundários normais e ultrassom transvaginal normal, o que geralmente exclui anomalias anatômicas e falência ovariana primária completa. O histórico de tumor cerebral e radioterapia é um forte indicativo de disfunção do eixo hipotálamo-hipófise, levando a uma deficiência na produção de gonadotrofinas (FSH/LH) e, consequentemente, à anovulação e amenorreia. Nesse cenário, a causa mais clinicamente plausível para a amenorreia seria hipotalâmica ou hipofisária, devido ao comprometimento da regulação central da esteroidogênese ovariana. A presença de caracteres sexuais secundários normais indica que os ovários produzem estrogênio em nível basal, mas não de forma cíclica para induzir a menstruação. No entanto, se considerarmos a alternativa 'Ovariana' como correta (conforme gabarito), a interpretação seria de que, apesar do desenvolvimento dos caracteres sexuais, há uma disfunção intrínseca nos ovários que impede a esteroidogênese cíclica completa necessária para a menstruação, ou uma resistência ovariana às gonadotrofinas. Essa é uma apresentação menos comum para falência ovariana primária com caracteres sexuais normais, mas pode ocorrer em síndromes específicas ou disfunções enzimáticas da esteroidogênese.
As causas de amenorreia primária incluem anomalias cromossômicas (ex: Síndrome de Turner), anomalias anatômicas (ex: Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser), disfunções hipotalâmicas ou hipofisárias, e falência ovariana primária.
A radioterapia cerebral pode danificar o hipotálamo ou a hipófise, comprometendo a produção de GnRH ou gonadotrofinas (FSH e LH), essenciais para a função ovariana e o ciclo menstrual, levando à amenorreia.
Significa que os ovários estão produzindo estrogênio em quantidade suficiente para o desenvolvimento de mamas e pelos pubianos. Isso geralmente exclui falência ovariana primária completa, direcionando a investigação para causas centrais ou disfunções ovarianas mais sutis.
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