FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2015
Uma paciente de 18 anos vem consultar por amenorreia primária. Sobre esse caso, assinale a alternativa INCORRETA:
Deficiência de GnRH → amenorreia primária com hipogonadismo hipogonadotrófico (FSH/LH ↓).
A dosagem de FSH e LH é crucial para diferenciar o hipogonadismo em central (hipogonadotrófico) ou ovariano (hipergonadotrófico). A deficiência de GnRH, por ser um problema hipotalâmico, impede a estimulação da hipófise, resultando em níveis baixos de gonadotrofinas.
A amenorreia primária, definida como a ausência de menarca até os 13 anos sem desenvolvimento de caracteres sexuais secundários ou até os 15 anos com desenvolvimento, é um desafio diagnóstico na ginecologia pediátrica e do adolescente. Sua etiologia é vasta, abrangendo desde anomalias anatômicas até distúrbios genéticos e endócrinos, sendo crucial para o residente dominar a abordagem sistemática. A fisiopatologia da amenorreia primária pode ser dividida em compartimentos: distúrbios do trato de saída (ex: hímen imperfurado, agenesia mulleriana), distúrbios ovarianos (ex: disgenesia gonadal, Síndrome de Turner), distúrbios hipofisários (ex: tumores, deficiência de gonadotrofinas) e distúrbios hipotalâmicos (ex: deficiência de GnRH, estresse, exercício excessivo). O diagnóstico envolve exame físico detalhado, dosagens hormonais (FSH, LH, estradiol, prolactina, TSH), cariótipo e exames de imagem como ultrassonografia pélvica e ressonância magnética. O tratamento depende da causa subjacente, podendo incluir correção cirúrgica de anomalias anatômicas, terapia de reposição hormonal para indução de puberdade e manutenção de caracteres sexuais secundários em casos de hipogonadismo, ou manejo de condições específicas como tumores. O prognóstico reprodutivo varia amplamente, sendo importante o aconselhamento genético e psicológico para as pacientes e suas famílias.
A investigação inicial da amenorreia primária envolve a exclusão de gravidez, avaliação do desenvolvimento de caracteres sexuais secundários, presença de útero e vagina, e dosagem de gonadotrofinas (FSH, LH) e prolactina para determinar o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal.
O cariótipo é fundamental para identificar anomalias cromossômicas, como a Síndrome de Turner (45,X0) em casos de disgenesia gonadal (hipogonadismo hipergonadotrófico), ou para diferenciar agenesia mulleriana (cariótipo 46,XX) de Síndrome de Insensibilidade Androgênica (cariótipo 46,XY) em pacientes com mamas e ausência de útero.
O hipogonadismo hipogonadotrófico é caracterizado por baixos níveis de FSH e LH, indicando um problema central (hipotálamo ou hipófise), como na deficiência de GnRH. Já o hipogonadismo hipergonadotrófico apresenta níveis elevados de FSH e LH, sugerindo falha ovariana primária, como na disgenesia gonadal.
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