Amenorreia Primária: Investigação de Atraso Puberal

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Paciente do sexo feminino com 14 anos e 5 meses é avaliada por ainda não ter apresentado menarca. Refere telarca aos 11 anos e pubarca aos 12 anos. Não apresenta outras queixas clínicas e tem bom rendimento escolar. É a única filha e seus pais são saudáveis, tiveram puberdade normal e não são consanguíneos. No exame físico genital e estadiamento puberal detectam genitais femininos típicos, sem alterações, pelos pubianos Tanner P2. No estadiamento mamário detecta Tanner M2. Essa paciente pesa 36 kg e mede 143 cm (curva abaixo).Há 1 mês ela foi avaliada por médico de família que solicitou os seguintes exames, cujos resultados ela traz nessa consulta:Idade óssea= 12 anosLH= 1,4 mUI\mL (valor normal para a idade: 1 a 7 mUi/mL)FSH= 3,8 mUI\mL (valor normal para a idade: 3 a 8 mUi/mL)Com esse quadro clínico e auxiliado pelos resultados dos exames complementares acima, qual é a conduta mais indicada na avaliação dessa paciente?

Alternativas

  1. A) Observar a evolução clínica, já que iniciou a puberdade e as gonadotrofinas estão normais para a idade.
  2. B) Solicitar dosagem de LH após Teste de Estímulo com LHRH.
  3. C) Solicitar dosagem de T4L, TSH, cortisol, IGF1 e Prolactina.
  4. D) Solicitar Cariótipo.

Pérola Clínica

Amenorreia primária + atraso puberal + baixa estatura com gonadotrofinas 'normais' → Investigar causas sistêmicas (T4L, TSH, cortisol, IGF1, Prolactina).

Resumo-Chave

A paciente apresenta amenorreia primária (ausência de menarca após 3 anos de telarca), atraso puberal e baixa estatura. Embora as gonadotrofinas (LH, FSH) estejam dentro da faixa de 'normalidade para a idade', elas são inapropriadamente baixas para o grau de atraso puberal e idade cronológica. A combinação de atraso de crescimento e puberdade com gonadotrofinas não elevadas sugere causas sistêmicas ou hipotalâmico-hipofisárias, tornando a investigação hormonal ampla a conduta mais indicada.

Contexto Educacional

A amenorreia primária e o atraso puberal em adolescentes exigem uma investigação diagnóstica abrangente, especialmente quando associados a baixa estatura. A avaliação inicial deve incluir um histórico detalhado, exame físico completo e estadiamento puberal de Tanner. A dosagem de gonadotrofinas (LH e FSH) é crucial para diferenciar entre hipogonadismo hipogonadotrófico (central) e hipergonadotrófico (primário ovariano). No caso apresentado, a paciente tem amenorreia primária, atraso puberal (M2, P2 aos 14a 5m) e baixa estatura, com gonadotrofinas que, embora 'normais para a idade', são funcionalmente baixas para o estágio de desenvolvimento. Essa combinação sugere a necessidade de investigar causas sistêmicas que possam estar suprimindo o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal ou afetando o crescimento. Exames como TSH e T4L (para hipotireoidismo), IGF1 (para deficiência de GH), cortisol (para disfunção adrenal) e prolactina (para hiperprolactinemia) são essenciais para identificar essas condições. Residentes devem estar atentos à interpretação das gonadotrofinas em contextos de atraso puberal, pois valores 'normais' podem ser enganosos. A exclusão de causas sistêmicas tratáveis é prioritária antes de considerar diagnósticos mais complexos ou constitucionais. Uma abordagem sistemática garante o diagnóstico correto e o manejo adequado para otimizar o desenvolvimento e a saúde reprodutiva da adolescente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de amenorreia primária?

Amenorreia primária é definida pela ausência de menarca aos 15 anos de idade ou pela ausência de menarca em até 3 anos após o início da telarca, ou ainda pela ausência de qualquer sinal de puberdade aos 13 anos.

Quais são as principais causas sistêmicas de atraso puberal e amenorreia primária?

As causas sistêmicas incluem hipotireoidismo, deficiência de hormônio do crescimento, doenças crônicas (como doença celíaca, doença inflamatória intestinal), desnutrição, estresse excessivo e hiperprolactinemia. Essas condições podem afetar o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal indiretamente.

Quando o cariótipo deve ser solicitado na investigação de amenorreia primária?

O cariótipo é indicado principalmente em casos de amenorreia primária com ausência ou desenvolvimento incompleto de características sexuais secundárias, ou em presença de dismorfismos sugestivos de síndromes genéticas, como a Síndrome de Turner, onde as gonadotrofinas estariam elevadas.

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