Amenorreia Primária: Diagnóstico de Obstrução Genital

HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2024

Enunciado

Paciente, 16 anos, refere amenorreia primária e dor pélvica cíclica a cada 28 dias, com duração de cerca de 3 dias. Informa sintomas pré-menstruais presentes, com sensibilidade nas mamas e alteração de humor. Ao exame, caracteres sexuais secundários femininos presentes. Assinale a alternativa com o diagnóstico MAIS provável.

Alternativas

  1. A) Obstrução distal do trato genital, como hímen imperfurado ou septo vaginal transverso
  2. B) Agenesia mulleriana total (síndrome de Mayer-Rokitansky).
  3. C) Disgenesia gonadal.
  4. D) Síndrome de Asherman

Pérola Clínica

Amenorreia primária + dor pélvica cíclica + caracteres sexuais secundários = obstrução do trato de saída.

Resumo-Chave

A combinação de amenorreia primária, dor pélvica cíclica e desenvolvimento normal dos caracteres sexuais secundários é altamente sugestiva de uma obstrução distal do trato genital. Nesses casos, o útero e os ovários estão presentes e funcionantes, produzindo hormônios e menstruando, mas o fluxo menstrual é impedido de sair, acumulando-se e causando dor.

Contexto Educacional

A amenorreia primária é definida como a ausência de menstruação aos 13 anos na ausência de caracteres sexuais secundários, ou aos 15 anos na presença de caracteres sexuais secundários. A investigação dessa condição é crucial e deve seguir um algoritmo diagnóstico bem estabelecido. O caso apresentado, com amenorreia primária, dor pélvica cíclica e desenvolvimento normal dos caracteres sexuais secundários, aponta fortemente para uma etiologia obstrutiva do trato genital. A presença de caracteres sexuais secundários indica que os ovários estão funcionantes e produzindo estrogênio, o que leva ao desenvolvimento mamário e à proliferação endometrial. A dor pélvica cíclica, por sua vez, sugere que o útero está menstruando, mas o sangue não consegue ser exteriorizado devido a uma barreira física. Esse acúmulo de sangue na vagina (hematocolpo), útero (hematometra) ou tubas (hematossalpinge) causa distensão e dor. As causas mais comuns de obstrução distal incluem o hímen imperfurado e o septo vaginal transverso. Em contraste, a agenesia mulleriana total (Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser) cursa com amenorreia primária e caracteres sexuais secundários presentes, mas sem útero e, consequentemente, sem dor pélvica cíclica. A disgenesia gonadal (como a Síndrome de Turner) geralmente apresenta amenorreia primária e ausência ou desenvolvimento incompleto dos caracteres sexuais secundários devido à falha ovariana. A Síndrome de Asherman é uma causa de amenorreia secundária, decorrente de aderências intrauterinas, e não de amenorreia primária. Portanto, a obstrução distal do trato genital é o diagnóstico mais provável e exige correção cirúrgica para permitir o fluxo menstrual e preservar a fertilidade.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas mais comuns de amenorreia primária?

As causas incluem anomalias congênitas do trato reprodutor (como hímen imperfurado, agenesia mulleriana), distúrbios genéticos (como Síndrome de Turner), disfunções hipotalâmicas/hipofisárias e disfunções ovarianas.

Como o hímen imperfurado causa dor pélvica cíclica?

O hímen imperfurado impede a saída do sangue menstrual, que se acumula na vagina (hematocolpo) e, posteriormente, no útero (hematometra) e tubas (hematossalpinge), causando distensão e dor cíclica.

Qual a conduta inicial para amenorreia primária com suspeita de obstrução?

A conduta inicial envolve exame físico detalhado, incluindo inspeção da genitália externa, e exames de imagem como ultrassonografia pélvica para confirmar a presença de útero e ovários e identificar o local da obstrução. O tratamento é cirúrgico para correção da obstrução.

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