Amenorreia Primária M4P1: Investigação com Cariótipo

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 15 anos, comparece em consulta ginecológica trazida pela mãe para orientação. As condições ao nascimento e desenvolvimento na infância foram normais. Iniciou desenvolvimento puberal aos 9 anos com telarca. Nega menarca. Exame físico: PA: 110x70 mmHg, IMC: 18 kg/m2, Estágio de Tanner: M4P1. Genitália externa feminina, púbere, introito vaginal com hímen integro e vaginometria de 3cm. Qual a propedêutica complementar para elucidar este caso clínico?

Alternativas

  1. A) FSH, TSH e Prolactina.
  2. B) Ressonância magnética de pelve.
  3. C) Teste de estímulo com GnRH.
  4. D) Cariótipo de células periféricas.

Pérola Clínica

Amenorreia primária + M4P1 + vagina curta → suspeitar de Síndrome de Insensibilidade Androgênica (SIA) → Cariótipo.

Resumo-Chave

A paciente apresenta amenorreia primária com desenvolvimento mamário (M4) mas ausência de pelos pubianos (P1) e vagina curta. Essa dissociação no desenvolvimento puberal, combinada com a amenorreia primária, é altamente sugestiva de Síndrome de Insensibilidade Androgênica (SIA), que requer cariótipo para confirmação diagnóstica (XY). Outras causas de amenorreia primária, como agenesia mülleriana, teriam P4.

Contexto Educacional

A amenorreia primária é definida como a ausência de menarca em uma mulher de 15 anos com desenvolvimento de caracteres sexuais secundários, ou em uma mulher de 13 anos sem desenvolvimento de caracteres sexuais secundários. Sua investigação é complexa e deve seguir um algoritmo diagnóstico bem estabelecido. A Síndrome de Insensibilidade Androgênica (SIA), também conhecida como feminização testicular, é uma causa importante de amenorreia primária. Nesta condição, indivíduos com cariótipo 46,XY apresentam resistência aos andrógenos, resultando em desenvolvimento de genitália externa feminina, mas com ausência de útero e ovários (possuem testículos internos) e ausência ou escassez de pelos pubianos e axilares, apesar do desenvolvimento mamário normal devido à aromatização de andrógenos em estrogênios. O diagnóstico precoce da SIA é crucial para o aconselhamento genético, manejo das gônadas (geralmente removidas após a puberdade para prevenir malignidade) e suporte psicológico. A avaliação inicial de amenorreia primária deve incluir exame físico detalhado, avaliação dos estágios de Tanner, e exames complementares como FSH, LH, TSH, prolactina e, fundamentalmente, o cariótipo, especialmente em casos de dissociação no desenvolvimento puberal ou presença de vagina curta. Residentes devem estar aptos a reconhecer os padrões clínicos que direcionam a investigação para causas genéticas e anatômicas, garantindo um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado para essas pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos que sugerem Síndrome de Insensibilidade Androgênica (SIA) na amenorreia primária?

Os principais sinais incluem amenorreia primária, desenvolvimento mamário normal ou avançado (M4), ausência ou escassez de pelos pubianos e axilares (P1), e uma vagina curta e cega ao exame físico. A dissociação entre o desenvolvimento mamário e pilificação é um achado chave.

Por que o cariótipo é o exame complementar mais adequado neste caso?

O cariótipo é fundamental porque a apresentação clínica (M4P1, vagina curta, amenorreia primária) é altamente sugestiva de Síndrome de Insensibilidade Androgênica, uma condição genética onde o indivíduo é geneticamente XY, mas fenotipicamente feminino. O cariótipo confirmará o genótipo e direcionará a conduta.

Como diferenciar a SIA de outras causas de amenorreia primária, como a agenesia mülleriana?

Na agenesia mülleriana (Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser), a paciente tem cariótipo XX, desenvolvimento mamário e pilificação normais (M4P4), mas ausência congênita de útero e parte superior da vagina. Na SIA, o cariótipo é XY, há desenvolvimento mamário, mas ausência de pelos pubianos e vagina curta, sem útero.

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