HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020
Adolescente de 17 anos, apresenta amenorreia primária, queixa-se de dor em baixo ventre, de caráter intermitente. É virgem e o exame ginecológico revelou desenvolvimento mamário normal, com presença de pelos pubianos e axilares. A ultrassonografia pélvica apresentou útero de volume normal, com imagem heterogênea na cavidade endometrial. O diagnóstico provável é:
Amenorreia primária + desenvolvimento puberal normal + dor pélvica cíclica = obstrução do trato de saída (hímen imperfurado/septo vaginal).
A amenorreia primária com desenvolvimento de caracteres sexuais secundários normais (mamas e pelos) e dor pélvica cíclica sugere uma obstrução no trato de saída do fluxo menstrual, como hímen imperfurado ou septo vaginal. A ultrassonografia pode mostrar acúmulo de sangue (hematocolpo/hematometra) na cavidade.
A amenorreia primária é definida como a ausência de menarca aos 13 anos sem desenvolvimento de caracteres sexuais secundários, ou aos 15 anos com desenvolvimento de caracteres sexuais secundários. É um desafio diagnóstico na ginecologia pediátrica e da adolescência, exigindo uma investigação sistemática para identificar a causa subjacente. Neste caso, o desenvolvimento mamário e pilificação normais indicam a presença de estrogênio e androgênios, respectivamente, sugerindo que o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal está funcionando. A dor em baixo ventre de caráter intermitente, em uma paciente virgem, com útero de volume normal e imagem heterogênea na cavidade endometrial (sugestivo de acúmulo de sangue), aponta fortemente para uma obstrução do trato de saída, como hímen imperfurado ou septo vaginal transverso. O tratamento para hímen imperfurado ou septo vaginal é cirúrgico, através de uma himenotomia ou ressecção do septo, para permitir o fluxo menstrual. É fundamental um diagnóstico precoce para aliviar a dor, prevenir complicações como endometriose e preservar a fertilidade futura. A exclusão de outras causas, como síndromes genéticas ou disfunções endócrinas, é parte integrante da investigação.
As causas incluem anomalias cromossômicas (Síndrome de Turner), disfunções hipotalâmicas/hipofisárias, agenesia Mülleriana (Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser) e obstruções do trato de saída (hímen imperfurado, septo vaginal).
No hímen imperfurado, há desenvolvimento mamário e pilificação normais, com útero presente e dor cíclica devido ao acúmulo de sangue. Na agenesia de Müller, há útero ausente ou rudimentar, sem dor cíclica, embora o desenvolvimento mamário e pilificação também sejam normais.
A ultrassonografia pélvica tipicamente revela um útero de volume normal com acúmulo de líquido (sangue) na cavidade endometrial (hematometra) e/ou vaginal (hematocolpo), devido à obstrução do fluxo menstrual.
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