SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Paciente de 16 anos procura atendimento por não ter apresentado a primeira menstruação. Ao exame físico, apresenta distribuição de pelos normais e desenvolvimento de mamas em M3 (estágio de Tanner). À inspeção vaginal, o hímen está íntegro sem anormalidades. Pressão arterial 120x60 mmHg e FC 80 bpm. Conforme o caso clínico exposto, julgue o item a seguir. Septo vaginal transverso pode ser um diagnóstico diferencial.
Amenorreia primária + caracteres sexuais normais + dor cíclica → Obstrução do trato de saída.
O septo vaginal transverso decorre de falha na fusão entre os ductos de Müller e o seio urogenital, causando obstrução e dor pélvica cíclica por acúmulo de sangue.
A amenorreia primária com desenvolvimento de mamas (Tanner M3+) indica que o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal está íntegro e produzindo estrogênio. O foco diagnóstico deve ser a anatomia do trato genital. O septo vaginal transverso é uma malformação congênita rara resultante da falha de canalização da placa vaginal. Clinicamente, as pacientes apresentam dor pélvica cíclica (devido ao hematocolpo) e massa palpável. É crucial diferenciar de outras causas de obstrução e da Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (agenesia mulleriana), onde o útero está ausente.
Embora ambos causem obstrução do trato de saída e criptomenorreia, o hímen imperfurado apresenta-se à inspeção como uma membrana abaulada e azulada no introito vaginal. Já o septo vaginal transverso localiza-se superiormente na vagina; a genitália externa e o hímen parecem normais, mas a vagina é curta ou em fundo cego ao toque ou exame especular.
A ultrassonografia pélvica ou transperineal é o exame inicial, revelando hematocolpo (sangue retido na vagina) e hematometra. A Ressonância Magnética (RM) é o padrão-ouro para definir a espessura e a localização exata do septo (alto, médio ou baixo), sendo essencial para o planejamento cirúrgico e diferenciação de agenesia vaginal.
O tratamento é cirúrgico e consiste na ressecção do septo (septoplastia) seguida de anastomose término-terminal da mucosa vaginal superior e inferior. Em septos muito espessos, pode ser necessário o uso de enxertos ou dilatadores no pós-operatório para evitar estenose cicatricial da vagina.
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