Amenorreia Primária: Diagnóstico Diferencial e Síndrome de MRKH

HOA - Hospital Oftalmológico do Acre - Rio Branco — Prova 2020

Enunciado

Uma jovem de 16 anos de idade vem à consulta por amenorreia primária. Tem 1,60m de altura, 55 kg e IMC de 21,4. Apresenta estádio V para desenvolvimento de mamas e pelos pubianos, genitália externa de aspecto normal e hímen íntegro. Os testes de progesterona e o de progesterona mais estrógeno são negativos. A hipótese diagnóstica é

Alternativas

  1. A) Hipotireoidismo.
  2. B) Síndrome de Morris.
  3. C) Síndrome de Turner.
  4. D) Puberdade tardia.
  5. E) Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser.

Pérola Clínica

Amenorreia primária + mamas/pelos normais + útero ausente/rudimentar (testes hormonais negativos) → Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser.

Resumo-Chave

A amenorreia primária em uma adolescente com desenvolvimento mamário e piloso normal (indicando função ovariana e estrogênica) e testes de progesterona/estrogênio negativos (sugerindo ausência de endométrio responsivo) aponta para uma anomalia anatômica do trato reprodutivo, como a agenesia Mülleriana na Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser.

Contexto Educacional

A amenorreia primária é a ausência de menarca em uma adolescente que atingiu a idade da puberdade. A investigação diagnóstica é complexa e deve seguir uma abordagem sistemática, considerando a presença ou ausência de caracteres sexuais secundários e a anatomia do trato reprodutivo. A paciente do caso apresenta desenvolvimento mamário e piloso normal (estádio V), o que indica que os ovários estão funcionando e produzindo estrogênio, descartando causas como Síndrome de Turner ou hipotireoidismo grave que afetariam o desenvolvimento puberal. Os testes de progesterona e progesterona mais estrogênio são ferramentas diagnósticas importantes. Um teste de progesterona negativo indica ausência de endométrio proliferado ou de estrogênio suficiente. Se o teste de progesterona mais estrogênio também for negativo, isso sugere a ausência de um útero responsivo ou de endométrio, mesmo com a presença de estrogênio. Este cenário, combinado com caracteres sexuais secundários normais, é altamente sugestivo de uma anomalia anatômica do trato Mülleriano. A Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (MRKH) é a causa mais comum de amenorreia primária em pacientes com desenvolvimento mamário e piloso normal e cariótipo 46,XX. Caracteriza-se pela agenesia ou hipoplasia do útero e dos dois terços superiores da vagina, enquanto os ovários e as tubas uterinas são geralmente normais. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem (ultrassonografia pélvica ou ressonância magnética) que demonstram a ausência ou rudimentos uterinos. O tratamento foca na criação de uma neovagina para permitir a atividade sexual.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de amenorreia primária?

Amenorreia primária é definida como a ausência de menarca aos 13 anos na ausência de desenvolvimento de caracteres sexuais secundários, ou ausência de menarca aos 15 anos na presença de caracteres sexuais secundários.

Como a Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (MRKH) se manifesta clinicamente?

Pacientes com MRKH apresentam amenorreia primária, desenvolvimento normal de mamas e pelos pubianos (indicando ovários funcionantes), cariótipo 46,XX, e agenesia ou hipoplasia do útero e dos dois terços superiores da vagina.

Qual a importância dos testes de progesterona e estrogênio na amenorreia primária?

Esses testes ajudam a avaliar a presença de endométrio responsivo. Um teste de progesterona negativo, seguido de um teste de progesterona + estrogênio negativo, sugere ausência de endométrio ou útero, ou um endométrio não responsivo, direcionando a investigação para anomalias anatômicas.

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