SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022
Menina de 16 anos vem ao posto de saúde com sua mãe com queixa de nunca ter menstruado. Refere ter tido telarca e pubarca aos 10 anos, nega dor. Ao exame físico, mamas Tunner IV, abdome, sem massas palpáveis ou pontos dolorosos, vulva com pilificação ginecoide, Tunner IV, com clítoris, pequenos e grandes lábios normais, porém o introito vaginal não permite a passagem de um cotonete. Qual o melhor exame para auxiliar no diagnóstico diferencial?
Amenorreia primária + caracteres sexuais secundários normais + introito vaginal imperfurado → US pélvico para avaliar útero/vagina.
Em casos de amenorreia primária com desenvolvimento de caracteres sexuais secundários e genitália externa normal, mas com dificuldade ou impossibilidade de passagem de cotonete no introito vaginal, o ultrassom pélvico é o exame inicial de escolha para avaliar a presença ou ausência de útero e vagina, diferenciando causas como agenesia mülleriana.
A amenorreia primária é definida pela ausência de menstruação aos 16 anos com desenvolvimento de caracteres sexuais secundários, ou aos 14 anos sem desenvolvimento. Sua etiologia é vasta, abrangendo desde anomalias genéticas e hormonais até malformações anatômicas. O diagnóstico precoce é crucial para o manejo adequado e para minimizar o impacto psicossocial na adolescente. No caso de uma paciente com telarca e pubarca normais, mas com introito vaginal imperfurado, a principal suspeita recai sobre anomalias obstrutivas do trato genital ou agenesia mülleriana. O ultrassom pélvico é o exame de primeira linha para visualizar as estruturas pélvicas internas, como útero, ovários e vagina, permitindo identificar a presença ou ausência dessas estruturas e orientar a investigação adicional. A Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH), caracterizada por agenesia do útero e dos dois terços superiores da vagina, é uma das causas mais comuns de amenorreia primária com desenvolvimento sexual secundário normal. O tratamento depende da causa subjacente. Para agenesia vaginal, a criação de uma neovagina pode ser realizada através de métodos não cirúrgicos (dilatação) ou cirúrgicos. O prognóstico para fertilidade varia; pacientes com MRKH não podem engravidar, mas podem ter filhos via barriga de aluguel, enquanto outras causas obstrutivas podem ter a fertilidade preservada após correção. O aconselhamento psicológico é fundamental para o suporte emocional.
Sinais incluem ausência de menstruação aos 16 anos, desenvolvimento normal de mamas e pelos pubianos, e um introito vaginal que não permite a passagem de um cotonete, indicando obstrução ou ausência de vagina.
O ultrassom pélvico é crucial para avaliar a presença e morfologia do útero e da vagina, sendo fundamental para diferenciar entre agenesia mülleriana (como a Síndrome de MRKH) e outras causas de amenorreia primária.
Embora ambos possam causar amenorreia primária com obstrução do introito, o himen imperfurado geralmente cursa com dor cíclica devido ao hematocolpo, enquanto a agenesia vaginal (sem útero) não apresenta dor cíclica. O USG pélvico diferencia as estruturas.
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