Amenorreia Primária: Rokitansky vs Morris (Pelos Pubianos)

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Menina de 16 anos procura atendimento por amenorreia primária sem dor pélvica. Não se identifica útero na ecografia pélvica. Qual alternativa abaixo pode auxiliar em diferenciar a Síndrome de Rokitansky da Síndrome de Morris (Síndrome da Insensibilidade Androgênica)?

Alternativas

  1. A) Desenvolvimento mamário.
  2. B) Desenvolvimento de pelos pubianos.
  3. C) Clitoromegalia.
  4. D) Seio urogenital.

Pérola Clínica

Amenorreia primária + ausência útero: Rokitansky (pelos pubianos presentes) vs Morris (pelos pubianos ausentes).

Resumo-Chave

A diferenciação entre Síndrome de Rokitansky (agenesia mülleriana) e Síndrome de Morris (insensibilidade androgênica completa) em amenorreia primária com ausência de útero é crucial. O desenvolvimento de pelos pubianos é um marcador importante, pois em Morris, a insensibilidade aos andrógenos impede o desenvolvimento de características sexuais secundárias andrógeno-dependentes.

Contexto Educacional

A amenorreia primária, definida como a ausência de menarca até os 16 anos com desenvolvimento de caracteres sexuais secundários, ou até os 14 anos sem desenvolvimento, é um desafio diagnóstico na ginecologia pediátrica e da adolescência. A ausência de útero na ecografia pélvica direciona a investigação para condições como a Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH) e a Síndrome da Insensibilidade Androgênica Completa (CAIS), também conhecida como Síndrome de Morris. A Síndrome de Rokitansky é caracterizada pela agenesia mülleriana, onde há ausência congênita do útero e dos dois terços superiores da vagina, mas com ovários e tubas uterinas presentes e funcionantes. O cariótipo é 46,XX e as pacientes apresentam desenvolvimento mamário e de pelos pubianos normais. Já a Síndrome de Morris é uma condição genética ligada ao cromossomo X (cariótipo 46,XY) em que há insensibilidade completa dos receptores celulares aos andrógenos. Embora possuam testículos (internos) que produzem andrógenos, o corpo não responde a eles. A diferenciação entre as duas síndromes é crucial para o manejo e aconselhamento. O desenvolvimento de pelos pubianos é o principal fator diferencial: pacientes com Síndrome de Rokitansky terão pelos pubianos e axilares normais, pois seus ovários produzem andrógenos e seus receptores funcionam. Em contraste, pacientes com Síndrome de Morris, devido à insensibilidade androgênica, não desenvolverão pelos pubianos ou axilares, apesar de poderem ter desenvolvimento mamário normal (devido à aromatização periférica de andrógenos em estrogênios). O cariótipo confirma o diagnóstico definitivo.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre a Síndrome de Rokitansky e a Síndrome de Morris?

A principal diferença é que na Síndrome de Rokitansky (agenesia mülleriana), a paciente tem cariótipo 46,XX e ovários funcionantes, resultando em desenvolvimento de pelos pubianos e mamas. Na Síndrome de Morris (insensibilidade androgênica completa), a paciente tem cariótipo 46,XY, testículos internos e insensibilidade aos andrógenos, levando à ausência de pelos pubianos, apesar do desenvolvimento mamário.

Por que o desenvolvimento de pelos pubianos é um fator chave na diferenciação?

O desenvolvimento de pelos pubianos é uma característica sexual secundária andrógeno-dependente. Na Síndrome de Morris, a insensibilidade aos andrógenos impede o crescimento desses pelos, enquanto na Síndrome de Rokitansky, com ovários funcionantes e produção normal de andrógenos, os pelos pubianos se desenvolvem normalmente.

Ambas as síndromes podem apresentar desenvolvimento mamário?

Sim, ambas as síndromes podem apresentar desenvolvimento mamário. Na Síndrome de Rokitansky, isso ocorre devido à função ovariana normal. Na Síndrome de Morris, os testículos internos produzem andrógenos que são aromatizados perifericamente em estrogênios, promovendo o desenvolvimento mamário.

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