Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2020
Adolescente, 18 anos, sem história pregressa patológica, G0P0, inicia com contraceptivo oral combinado com esquema 24+4. Faz uso correto do contraceptivo, porém com 6 meses de uso começa a não apresentar o sangramento de privação no período dos 4 comprimidos de placebo. Qual a hipótese associada à esta amenorreia?
Uso correto de ACO combinado + amenorreia = Atrofia endometrial é a causa mais comum, após excluir gravidez.
A amenorreia durante o uso de contraceptivos orais combinados (ACOs), especialmente em esquemas contínuos ou com progestagênios de alta potência, é um efeito esperado devido à supressão e atrofia endometrial. Embora a gravidez deva ser sempre descartada, a atrofia endometrial é a explicação mais provável para a ausência de sangramento de privação com uso correto.
A amenorreia induzida por contraceptivos orais combinados (ACOs) é um fenômeno comum e, na maioria das vezes, benigno, especialmente em esquemas de uso contínuo ou com formulações de alta potência progestagênica. O mecanismo principal é a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, que leva à inibição da ovulação e à atrofia do endométrio. Com o uso prolongado, o endométrio torna-se tão fino que não há tecido suficiente para descamar durante o período de pausa dos comprimidos, resultando na ausência do sangramento de privação. Para o residente, é crucial entender que, embora a gravidez deva ser sempre a primeira hipótese a ser descartada em caso de amenorreia, mesmo com uso correto do ACO, a atrofia endometrial é a causa mais provável e esperada. A paciente deve ser tranquilizada de que a ausência de sangramento não significa falha do método ou risco à saúde, mas sim um efeito fisiológico da medicação. O manejo envolve a exclusão de gravidez (com teste de gravidez) e a explicação do mecanismo à paciente. Não há necessidade de intervenção, a menos que a paciente deseje ter sangramentos regulares, o que pode ser alcançado com a troca para um ACO com menor potência progestagênica ou um esquema de pausa mais longo. Este conhecimento é fundamental para o aconselhamento contraceptivo e para evitar ansiedade desnecessária nas pacientes.
A amenorreia ocorre devido à supressão do eixo hipotálamo-hipófise-ovário e à atrofia endometrial induzida pelos hormônios do contraceptivo. O endométrio fica tão fino que não há tecido suficiente para descamar durante o período de pausa, resultando na ausência de sangramento de privação.
Não necessariamente. Se o contraceptivo for usado corretamente e consistentemente, a ausência de sangramento de privação é geralmente um sinal de atrofia endometrial e não indica falha do método. No entanto, um teste de gravidez deve ser realizado para tranquilizar a paciente e descartar gravidez.
A amenorreia pode ser um benefício para mulheres com dismenorreia intensa, menorragia, endometriose ou anemia. Além disso, a ausência de sangramento pode ser preferida por algumas mulheres por conveniência e conforto.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo