USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Mulher de 26 anos, nuligesta, refere parada das menstruações. Refere menarca aos 13 anos, seguida de ciclos regulares por 7 anos, após os quais passou a apresentar intervalos menstruais longos de 3 a 4 meses, sendo a última menstruação há dois anos. É triatleta e treina cerca de 6 horas diárias. Associa a alteração menstrual ao aumento na intensidade dos treinos. Nega uso de medicações. No momento sem atividade sexual. Ao exame físico: PA: 90xm60mmHg; IMC: 17,2Kg/m²; índice de Ferriman Gallwey: 2. Mamas sem alterações. Exame ginecológico: mucosa vaginal pálida. Exames complementares: FSH = 1,19mlU/ml (VN = 3,5 a 10,5mlU/ml); prolactina = 12ng/dl (VN menor 25ng/dl) e TSH = 2,1mlU/ml (VN = 0,4 a 4,0MIU/ml). Qual o exame mais relevante a ser solicitado para esta paciente?
Amenorreia hipotalâmica funcional (IMC baixo, estresse físico) → risco osteopenia/osteoporose → Densitometria óssea é essencial.
A amenorreia hipotalâmica funcional, comum em atletas com baixo peso e estresse físico, leva ao hipoestrogenismo crônico, aumentando o risco de perda de massa óssea e osteoporose, justificando a densitometria óssea como exame prioritário.
A amenorreia hipotalâmica funcional (AHF) é uma causa comum de amenorreia secundária, especialmente em mulheres jovens. Ela é caracterizada pela supressão do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, resultando em baixos níveis de GnRH, FSH, LH e estrogênio, sem uma causa orgânica identificável. Fatores como estresse físico (exercício excessivo), baixo peso corporal (IMC < 18,5 kg/m²) e estresse psicológico são os principais desencadeantes. É um componente da "Tríade da Atleta Feminina", que inclui distúrbios alimentares, amenorreia e osteoporose. O diagnóstico da AHF é de exclusão, após descartar outras causas de amenorreia (gravidez, hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana, SOP, falência ovariana precoce, etc.). Os exames laboratoriais tipicamente mostram FSH e LH baixos ou normais-baixos, e estradiol baixo. A principal complicação a longo prazo do hipoestrogenismo crônico é a perda de densidade mineral óssea, que pode levar à osteopenia e osteoporose, aumentando o risco de fraturas por fragilidade. Portanto, a densitometria óssea é um exame crucial para avaliar a saúde óssea dessas pacientes e deve ser solicitada como parte da investigação e acompanhamento. O tratamento visa restaurar o ciclo menstrual e a saúde óssea, focando na modificação dos fatores precipitantes, como otimização da nutrição, redução da intensidade do exercício e manejo do estresse. A reposição hormonal pode ser considerada para proteger a massa óssea se as mudanças no estilo de vida não forem suficientes.
É causada por estresse físico (exercício excessivo), baixo peso corporal (IMC < 18,5 kg/m²) e/ou estresse psicológico, que suprimem o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, levando à anovulação.
O hipoestrogenismo crônico resultante da amenorreia leva à perda de massa óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose, tornando a densitometria essencial para monitoramento e intervenção precoce.
O tratamento envolve a modificação do estilo de vida, como redução da intensidade do exercício, aumento da ingestão calórica e manejo do estresse, visando restaurar o peso e o ciclo menstrual. A reposição hormonal pode ser considerada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo