Amenorreia Hipotalâmica Funcional: Diagnóstico e Causas

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Uma paciente de 17 anos de idade, que teve menarca aos 11 anos, vem à Unidade Básica de Saúde (UBS), acompanhada da mãe, referindo amenorreia há 1 ano. A adolescente relata ainda perda de peso de 15 kg no último ano devido a dietas feitas por conta própria, pois deseja ser modelo. Nega comorbidades, uso de medicações e início de atividade sexual. Ao exame, apresenta altura de 1,75 m e peso de 50 kg. Nesse caso, qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Amenorreia hipotalâmica.
  2. B) Falência ovariana prematura.
  3. C) Amenorreia de causa hipofisária.
  4. D) Síndrome dos ovários policísticos.
  5. E) Sinéquias uterinas decorrentes de endometrite.

Pérola Clínica

Perda ponderal acentuada → ↓ secreção pulsátil de GnRH → ↓ FSH/LH → Amenorreia hipotalâmica.

Resumo-Chave

A amenorreia hipotalâmica funcional ocorre devido ao estresse metabólico (perda de peso/exercício), resultando na supressão do eixo HPO e baixos níveis de gonadotrofinas.

Contexto Educacional

A amenorreia hipotalâmica funcional é uma das causas mais comuns de amenorreia secundária em adolescentes e mulheres jovens. O caso clínico apresenta uma paciente com IMC de 16,3 kg/m² (baixo peso grave) e desejo de ser modelo, sugerindo um transtorno alimentar. O diagnóstico é de exclusão, mas a história clínica de perda ponderal de 15 kg é altamente sugestiva. É fundamental avaliar a densidade mineral óssea nessas pacientes, pois o hipoestrogenismo prolongado aumenta o risco de osteopenia e fraturas de estresse.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da amenorreia por perda de peso?

A perda de peso acentuada ou o balanço energético negativo sinalizam ao hipotálamo a escassez de recursos, levando à redução da frequência e amplitude dos pulsos de GnRH. Sem o estímulo pulsátil adequado, a hipófise não libera FSH e LH em níveis suficientes para promover o desenvolvimento folicular e a ovulação, resultando em um estado de hipogonadismo hipogonadotrófico e amenorreia secundária.

Como diferenciar amenorreia hipotalâmica de falência ovariana prematura?

A diferenciação é feita principalmente pela dosagem de gonadotrofinas (FSH e LH). Na amenorreia hipotalâmica, os níveis de FSH e LH estão baixos ou no limite inferior da normalidade (hipogonadismo hipogonadotrófico). Já na falência ovariana prematura (insuficiência ovariana prematura), os níveis de FSH estão significativamente elevados (hipogonadismo hipergonadotrófico), indicando falha na resposta gonadal.

Qual o tratamento inicial para amenorreia hipotalâmica funcional?

O tratamento primário foca na reversão da causa base, que é o déficit energético. Isso envolve suporte nutricional para ganho de peso, redução da intensidade de exercícios físicos e acompanhamento psicológico, especialmente se houver suspeita de transtornos alimentares como anorexia ou bulimia. A terapia de reposição hormonal pode ser considerada para proteção óssea se a recuperação do peso não ocorrer prontamente.

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