UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente de 25 anos veio à consulta por não menstruar há 9 meses. Informou que seus ciclos menstruais variavam de 25-40 dias e que não estava grávida, embora não fizesse uso de métodos contraceptivos. Ao ser questionada sobre outros sintomas, referiu apenas perda de peso (3 kg). Relatou ter corrido uma maratona há 3 meses e estar se preparando para a próxima (em 2 semanas). O IMC era de 21 kg/m². Considerando as dosagens de referência das gonadotrofinas reproduzidas no quadro abaixo, assinale a alternativa que contempla os valores esperados para o caso.
Amenorreia + exercício intenso + perda peso → Amenorreia Hipotalâmica Funcional = FSH e LH baixos.
A amenorreia hipotalâmica funcional é um diagnóstico de exclusão, comum em atletas ou pacientes com baixo peso, caracterizada por disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, resultando em baixos níveis de gonadotrofinas (FSH e LH).
A amenorreia hipotalâmica funcional (AHF) é uma causa comum de amenorreia secundária, especialmente em mulheres jovens. Ela representa uma disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, onde o hipotálamo reduz a secreção de GnRH em resposta a estressores metabólicos ou físicos, como exercício excessivo, restrição calórica e estresse psicológico. É crucial reconhecer a AHF para evitar complicações a longo prazo, como osteopenia e infertilidade. A fisiopatologia envolve a supressão do pulso de GnRH, levando a uma diminuição na secreção de FSH e LH pela hipófise, e consequentemente, uma redução na produção de estrogênio pelos ovários. O diagnóstico é de exclusão, exigindo a investigação de outras causas de amenorreia secundária. A história clínica detalhada, incluindo hábitos de exercício, dieta e peso, é fundamental para a suspeita diagnóstica. O tratamento da AHF é primariamente não farmacológico, focando na modificação dos fatores desencadeantes. Isso inclui a redução da intensidade do exercício, aumento da ingestão calórica para atingir um peso saudável e manejo do estresse. A restauração do peso e do balanço energético geralmente leva à recuperação da função menstrual. A suplementação de cálcio e vitamina D é importante para a saúde óssea, e em alguns casos, a terapia hormonal pode ser considerada para proteger a densidade óssea.
Os principais fatores de risco incluem exercício físico excessivo, restrição calórica, baixo peso corporal (IMC < 18,5 kg/m²), estresse psicológico e transtornos alimentares. A combinação desses fatores potencializa o risco.
O diagnóstico é de exclusão, após descartar outras causas de amenorreia secundária (gravidez, SOP, hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana, falência ovariana prematura). É caracterizado por níveis baixos de FSH e LH, e estradiol baixo, em um contexto clínico compatível.
A conduta inicial foca na modificação do estilo de vida, incluindo redução da intensidade do exercício, aumento da ingestão calórica e ganho de peso. O suporte nutricional e psicológico pode ser necessário para restaurar a função menstrual.
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