Amenorreia Hipotalâmica Funcional: Diagnóstico e Causas

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 18 anos com amenorreia de 4 meses, ciclos menstruais regulares, não faz uso de medicação, nega atividade sexual e relata sofrer de ansiedade em razão de prova de vestibular que irá se submeter. Apresentou resultado normais de exames de ultrassonografia pélvica e dosagem de prolactina e TSH. Qual a hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Amenorreia hipotalâmica e GnRH com pulsatilidade reduzida.
  2. B) Síndrome de Sheehan e dosagens de FSH elevada.
  3. C) Menopausa precoce e dosagem de FSH elevada.
  4. D) Síndrome dos ovários policísticos e dosagem de estradiol elevada.
  5. E) Agenesia gonadal, evoluindo com falência na produção dos hormônios estradiol e progesterona.

Pérola Clínica

Amenorreia secundária + estresse + exames normais → Amenorreia hipotalâmica funcional (GnRH ↓).

Resumo-Chave

A amenorreia hipotalâmica funcional é uma causa comum de amenorreia secundária em mulheres jovens, frequentemente associada a estresse físico ou psicológico. Caracteriza-se pela redução da pulsatilidade do GnRH, levando à diminuição de FSH e LH, e consequentemente de estrogênio, apesar de ovários e útero normais.

Contexto Educacional

A amenorreia secundária, definida como a ausência de menstruação por três ciclos consecutivos ou por seis meses em mulheres que já menstruaram, é uma queixa comum na prática ginecológica. Em pacientes jovens, especialmente aquelas sob estresse significativo, a amenorreia hipotalâmica funcional (AHF) é uma hipótese diagnóstica importante. Esta condição é caracterizada por uma disfunção no eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, sem uma causa orgânica detectável. A fisiopatologia da AHF envolve a supressão da secreção pulsátil do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) pelo hipotálamo, que por sua vez leva à diminuição da liberação de FSH (hormônio folículo-estimulante) e LH (hormônio luteinizante) pela hipófise anterior. Consequentemente, há uma redução na produção de estrogênio pelos ovários, resultando em anovulação e amenorreia. Fatores como estresse psicológico, exercícios físicos intensos e baixo peso corporal são gatilhos comuns para essa disfunção. O diagnóstico de AHF é de exclusão, após descartar outras causas de amenorreia secundária, como gravidez, hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana e síndrome dos ovários policísticos. Exames como ultrassonografia pélvica, dosagens de prolactina e TSH geralmente são normais, enquanto os níveis de FSH, LH e estradiol podem estar baixos ou normais-baixos. O tratamento envolve a modificação dos fatores precipitantes, como redução do estresse e, se necessário, terapia hormonal para restaurar os ciclos menstruais e prevenir complicações a longo prazo, como osteopenia.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de amenorreia secundária em mulheres jovens?

As principais causas incluem gravidez, disfunções tireoidianas, hiperprolactinemia, síndrome dos ovários policísticos (SOP), falência ovariana prematura e amenorreia hipotalâmica funcional, esta última frequentemente associada a estresse, exercícios excessivos ou baixo peso.

Como o estresse pode levar à amenorreia hipotalâmica funcional?

O estresse crônico ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, liberando cortisol, que inibe a secreção pulsátil do GnRH pelo hipotálamo. A redução do GnRH leva à diminuição da liberação de FSH e LH pela hipófise, resultando em anovulação e amenorreia.

Quais exames são importantes para investigar a amenorreia secundária e o que esperar na amenorreia hipotalâmica?

Exames iniciais incluem beta-hCG, TSH, prolactina, FSH, LH e estradiol. Na amenorreia hipotalâmica, espera-se TSH e prolactina normais, FSH e LH baixos ou normais-baixos, e estradiol baixo, com ultrassonografia pélvica normal.

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