UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente de 20 anos, com ciclos menstruais irregulares, consultou por não menstruar há 6 meses. Informou estar sem atividade sexual há 2 anos e ter tido um aborto espontâneo aos 15 anos, sem necessidade de curetagem. O exame físico não revelou anormalidades, e o IMC era de 18,5 kg/m². Exames laboratoriais recentes revelaram b-hCG negativo, FSH de 0,3 mUI/ml (valor de referência: 3-10 mUI/ml) e prolactina de 15 ng/ml (valor de referência: 5-25 ng/ml). Com base no quadro, qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Amenorreia + FSH baixo + Prolactina normal + IMC baixo/estresse → Amenorreia Hipotalâmica.
A amenorreia hipotalâmica é uma causa comum de amenorreia secundária, caracterizada por hipogonadismo hipogonadotrófico (FSH e LH baixos) devido à disfunção do eixo hipotálamo-hipófise. Fatores como baixo peso, estresse e exercícios intensos são gatilhos importantes.
A amenorreia hipotalâmica é uma das causas mais comuns de amenorreia secundária, especialmente em mulheres jovens. Ela se enquadra no espectro do hipogonadismo hipogonadotrófico, onde há uma disfunção no eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, resultando em baixa produção de GnRH, FSH, LH e, consequentemente, estrogênio. É crucial reconhecer essa condição para um manejo adequado e prevenção de complicações a longo prazo. A fisiopatologia envolve a supressão da secreção pulsátil de GnRH pelo hipotálamo, geralmente desencadeada por estresse físico (exercício excessivo), psicológico ou nutricional (baixo peso, distúrbios alimentares). Clinicamente, a paciente apresenta amenorreia, e os exames laboratoriais revelam níveis baixos de FSH e LH, com prolactina normal e b-hCG negativo. O IMC baixo é um forte indício, como no caso da questão (18,5 kg/m²). O tratamento visa restaurar a função menstrual e a fertilidade, abordando os fatores desencadeantes. Isso pode incluir ganho de peso, redução do estresse e da intensidade do exercício. A reposição hormonal pode ser indicada para prevenir complicações como osteopenia/osteoporose, mas não restaura a ovulação. A compreensão dessa condição é vital para residentes em ginecologia e endocrinologia.
O diagnóstico de amenorreia hipotalâmica é de exclusão, caracterizado por amenorreia secundária, níveis baixos de FSH e LH, prolactina normal, e ausência de outras causas como SOP, insuficiência ovariana ou sinéquias uterinas, frequentemente associado a baixo peso, estresse ou exercício excessivo.
O FSH está baixo porque a disfunção primária ocorre no hipotálamo, que não secreta GnRH de forma adequada. Isso leva a uma estimulação insuficiente da hipófise, resultando em baixa produção de gonadotrofinas (FSH e LH).
Na amenorreia hipotalâmica, o FSH é baixo, indicando um problema central (hipotálamo/hipófise). Na insuficiência ovariana primária, os ovários não respondem, levando a um feedback negativo ausente e, consequentemente, a níveis elevados de FSH e LH.
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