Amenorreia Hipotalâmica e Hipofisária: Diagnóstico e Conduta

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 22 anos, sem vida sexual ativa, apresenta amenorreia há mais de três meses. Análise laboratorial revelou níveis abaixo do percentil 99 de FSH e LH, estrogênios e progestógenos. Nesses casos, deve-se proceder à terapia de reposição hormonal utilizando o valerianato de estradiol ou estrogênios conjugados por 25 dias, e nos últimos dias, administrar o acetato de medroxiprogesterona na dosagem de 5 mg/dia. Após 6 meses, pode-se interromper o tratamento e repetir as dosagens hormonais. O quadro clínico relatado sugere:

Alternativas

  1. A) Prolactinoma.
  2. B) Falência ovariana prematura.
  3. C) Amenorreia hipotalâmica/ hipofisária.
  4. D) Anovulação hiperandrogênica.

Pérola Clínica

FSH/LH ↓ + Estrogênio ↓ → Amenorreia Hipotalâmica ou Hipofisária (Hipogonadismo Hipogonadotrófico).

Resumo-Chave

Níveis baixos de gonadotrofinas associados a hipoestrogenismo indicam falha na estimulação central do eixo, caracterizando causas hipotalâmicas ou hipofisárias.

Contexto Educacional

A investigação da amenorreia secundária segue um fluxograma lógico que começa com a exclusão de gravidez e avaliação de prolactina e TSH. Quando esses são normais, o próximo passo é avaliar o eixo gonadotrófico. O achado de FSH e LH abaixo do percentil 99 (baixos) junto com estrogênio baixo confirma o hipogonadismo hipogonadotrófico. Este quadro aponta para disfunções nos compartimentos superiores (III - Hipófise ou IV - Hipotálamo). O tratamento envolve a correção da causa base (como ajuste de peso ou redução de estresse) e a reposição hormonal cíclica para manter a saúde óssea e cardiovascular da paciente jovem, além de induzir ciclos menstruais artificiais.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a amenorreia hipotalâmica?

A amenorreia hipotalâmica é uma forma de hipogonadismo hipogonadotrófico, onde há uma disfunção na secreção pulsátil do GnRH pelo hipotálamo. Isso leva a níveis baixos de FSH e LH, resultando em falha na estimulação ovariana e baixos níveis de estrogênio. Frequentemente está associada a estresse, perda de peso excessiva, exercícios físicos intensos ou distúrbios alimentares.

Como diferenciar amenorreia central de falência ovariana?

A diferenciação é feita pela dosagem de gonadotrofinas (FSH e LH). Na amenorreia central (hipotalâmica ou hipofisária), o FSH e o LH estão baixos ou inapropriadamente normais (hipogonadismo hipogonadotrófico). Na falência ovariana prematura, os ovários não respondem, levando a um aumento compensatório de FSH e LH (hipogonadismo hipergonadotrófico).

Qual o papel da reposição hormonal nestes casos?

A terapia de reposição hormonal (TRH) com estrogênios e progestogênios é fundamental para prevenir as consequências do hipoestrogenismo crônico, como a perda de massa óssea (osteopenia/osteoporose) e atrofia urogenital. Além disso, a TRH mimetiza o ciclo menstrual, promovendo a descamação endometrial e protegendo contra a hiperplasia endometrial.

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