Amenorreia Funcional Hipotalâmica: Diagnóstico e Causas

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 25 anos, sem comorbidades, apresentava ciclos menstruais regulares até evoluir, há 4 meses, para amenorréia. Refere ter intensificado, há 6 meses, os treinos de corrida. Índice de massa corporal (IMC) = 18kg/m². Exames laboratoriais: hormônio folículo-estimulante (FSH) = 1,7mUI/mL; hormônio luteinizante (LH) = 1,9mUI/mL; estradiol (E2) < 5pg/mL e prolactina = 17,2ng/mL. A causa mais provável da amenorreia é:

Alternativas

  1. A) adenoma hipofisário
  2. B) síndrome dos ovários policísticos
  3. C) insuficiência ovariana prematura
  4. D) funcional hipotalâmica

Pérola Clínica

Amenorreia funcional hipotalâmica = estresse físico/psíquico + baixo peso + FSH/LH baixos + estradiol baixo.

Resumo-Chave

A amenorreia funcional hipotalâmica é caracterizada por hipogonadismo hipogonadotrófico (FSH e LH baixos) e hipoestrogenismo (estradiol baixo), frequentemente associada a estresse físico (exercício intenso), baixo peso ou estresse psicológico.

Contexto Educacional

A amenorreia secundária é a ausência de menstruação por um período de três ciclos ou seis meses em mulheres que já menstruaram regularmente. Uma das causas mais comuns é a amenorreia funcional hipotalâmica (AFH), uma condição de hipogonadismo hipogonadotrófico que resulta da supressão do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano. É frequentemente associada a estresse físico (como exercício intenso), baixo peso corporal, restrição calórica ou estresse psicológico. No caso clínico apresentado, a paciente de 25 anos, com IMC de 18 kg/m² e histórico de intensificação de treinos de corrida, apresenta um perfil hormonal de FSH baixo (1,7mUI/mL), LH baixo (1,9mUI/mL) e estradiol muito baixo (< 5pg/mL). Este quadro é clássico de AFH, onde a disfunção hipotalâmica leva à redução da secreção de GnRH, que por sua vez diminui a liberação de FSH e LH pela hipófise, resultando em baixa produção de estradiol pelos ovários. O diagnóstico diferencial é crucial. Adenoma hipofisário (especialmente prolactinoma) causaria hiperprolactinemia, que não é o caso aqui (prolactina normal). Síndrome dos ovários policísticos (SOP) geralmente cursa com hiperandrogenismo e níveis de LH frequentemente elevados em relação ao FSH, além de estradiol não tão baixo. Insuficiência ovariana prematura (IOP) seria caracterizada por FSH e LH elevados, devido à falha ovariana primária. Portanto, a amenorreia funcional hipotalâmica é a causa mais provável, exigindo manejo que inclua modificação do estilo de vida e, se necessário, reposição hormonal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para amenorreia funcional hipotalâmica?

Os principais fatores de risco incluem exercício físico intenso, baixo peso corporal (IMC < 18,5 kg/m²), restrição calórica, estresse psicológico e transtornos alimentares, que afetam a pulsatilidade do GnRH.

Qual o perfil hormonal típico da amenorreia funcional hipotalâmica?

O perfil hormonal é de hipogonadismo hipogonadotrófico, com níveis baixos ou normais-baixos de FSH e LH, e níveis baixos de estradiol, refletindo a disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano.

Como diferenciar a amenorreia funcional hipotalâmica de outras causas de amenorreia secundária?

A diferenciação é feita pela história clínica (exercício, peso, estresse), exclusão de gravidez, e perfil hormonal. Em SOP, há hiperandrogenismo e LH/FSH alterados. Em insuficiência ovariana prematura, FSH e LH estariam elevados devido à falha ovariana primária.

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