HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2023
Jovem, 15 anos de idade, é acompanhado na UBS com história de diarreia intermitente há 8 meses. Tem episódios de até 6 dejeções dia, com muco e sangue, durando, no máximo, 2 dias, ficando até 15 dias sem diarreia. Nega correlação com consumo de determinados alimentos. Morador de zona rural, costuma tomar banho no pequeno açude próximo da sua casa. Consome água fervida e usa fossa seca para as dejeções. Apresenta ao exame físico discreta hepatomegalia sem outras alterações. Fez tratamento empírico com albendazol, sem melhora. Realizou parasitológico de fezes que evidenciou ovos de Schistosoma Mansoni.Considerando a descrição do caso, indique, entre as outras parasitoses, a que poderia ser responsável pelo quadro:
Diarreia crônica com muco e sangue + hepatomegalia + Schistosoma Mansoni → pensar em Amebíase como diferencial.
Amebíase, causada por *Entamoeba histolytica*, é uma causa comum de diarreia disentérica crônica em áreas com saneamento precário, podendo mimetizar ou coexistir com outras parasitoses como a esquistossomose, justificando sua investigação como diferencial.
A diarreia crônica com muco e sangue em pacientes de zonas rurais com saneamento precário é um sinal de alerta para diversas parasitoses intestinais. A esquistossomose mansônica, causada pelo *Schistosoma mansoni*, é endêmica em muitas regiões do Brasil e pode levar a um quadro intestinal crônico, além de complicações hepáticas como a hepatomegalia. No entanto, é crucial considerar outros diagnósticos diferenciais que podem coexistir ou mimetizar a apresentação clínica. A amebíase, causada pela *Entamoeba histolytica*, é uma infecção comum em ambientes com condições sanitárias desfavoráveis. Ela é classicamente associada à disenteria amebiana, caracterizada por diarreia com muco e sangue, dor abdominal e tenesmo, podendo ter um curso crônico e intermitente. A coexistência de múltiplas parasitoses é frequente nessas populações, e a amebíase pode ser uma causa significativa de morbidade, justificando sua investigação ativa mesmo na presença de outro agente etiológico. Para o residente, a abordagem de pacientes com diarreia crônica em áreas endêmicas exige uma investigação abrangente, incluindo múltiplos exames parasitológicos de fezes para identificar todos os patógenos envolvidos. O tratamento deve ser direcionado a cada agente identificado, visando a resolução dos sintomas e a prevenção de complicações a longo prazo. A educação em saúde e a melhoria do saneamento básico são medidas fundamentais para o controle dessas doenças.
A amebíase intestinal pode se manifestar de forma assintomática ou como disenteria amebiana, caracterizada por diarreia com muco e sangue, dor abdominal tipo cólica e tenesmo. Em casos graves, pode levar a colite fulminante, megacólon tóxico ou ameboma, e até abscessos hepáticos ou em outros órgãos.
Ambas podem causar diarreia com muco e sangue. A esquistossomose mansônica crônica frequentemente cursa com hepatomegalia e esplenomegalia, fibrose hepática e hipertensão portal. A amebíase, embora possa causar dor abdominal e diarreia disentérica, não costuma levar à hepatomegalia de forma primária, mas sim a abscessos hepáticos amebianos como complicação.
O diagnóstico da amebíase intestinal é feito principalmente pela pesquisa de cistos e trofozoítos de *Entamoeba histolytica* nas fezes, através de exames parasitológicos de fezes (EPF). Métodos moleculares como PCR podem ser usados para diferenciar *E. histolytica* de *E. dispar* (não patogênica). Em casos de suspeita de abscesso hepático, ultrassonografia ou tomografia e sorologia são úteis.
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