UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Homem de 50 anos é acompanhada no setor de reumatologia por ter lúpus eritematoso sistêmico (LES) há alguns anos, em uso crônico de 20 mg de prednisona. Ele inicia quadro agudo de diarreia mucosanguinolenta com seis a oito evacuações por dia, febrícula, queda do estado geral e leve desidratação. A pesquisa de elementos anormais nas fezes mostra radical heme e raros polimorfonucleares. As sorologias para HIV e HTLV são negativas. A cultura de fezes é negativa e a retosigmoidoscopia mostra úlceras rasas em sigmoide. O diagnóstico mais provável nesse caso é de infecção por:
Diarreia sanguinolenta + úlceras rasas em imunossuprimido (LES/corticoide) → Pensar em Amebíase.
Em pacientes imunossuprimidos por corticoterapia crônica, a amebíase pode se manifestar de forma agressiva com colite ulcerativa e diarreia sanguinolenta, mimetizando doenças inflamatórias intestinais.
A amebíase é causada pelo protozoário Entamoeba histolytica. Em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) sob corticoterapia, a apresentação clínica pode ser severa devido à redução da resposta inflamatória local e sistêmica, facilitando a invasão tecidual pelo parasita. A presença de sangue e muco nas fezes indica uma diarreia do tipo invasiva (colite). O diagnóstico é frequentemente desafiador pois os sintomas podem ser confundidos com exacerbações de doenças autoimunes intestinais. A retossigmoidoscopia é uma ferramenta valiosa para visualizar as lesões e realizar biópsias. O tratamento padrão envolve o uso de nitroimidazólicos (como metronidazol ou tinidazol) seguidos por um agente luminal para erradicar os cistos.
O uso crônico de corticoides, como a prednisona no LES, compromete a imunidade celular e a integridade da barreira mucosa intestinal. Isso permite que a Entamoeba histolytica invada os tecidos de forma mais agressiva, levando a úlceras extensas e quadros de colite amebiana fulminante ou necrosante, que são menos comuns em indivíduos imunocompetentes.
Na retossigmoidoscopia ou colonoscopia, a amebíase costuma apresentar úlceras 'em colo de garrafa' ou úlceras rasas com fundo necrótico, entremeadas por mucosa de aspecto normal. No caso clínico, as úlceras rasas no sigmoide associadas à diarreia sanguinolenta são altamente sugestivas de infecção por E. histolytica.
O diagnóstico diferencial inclui colite por CMV, atividade inflamatória do próprio LES (vasculite mesentérica) e outras parasitoses. A cultura de fezes negativa e a visualização de trofozoítos ou cistos no exame parasitológico ou biópsia, somados ao quadro clínico de diarreia invasiva, direcionam para o diagnóstico de amebíase.
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