Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
P.A.S., 30 anos, GIII PII 2N A0, IG usg: 31 semanas e 5 dias, deu entrada no PSGO com queixa de dor tipo contração uterina. Nega perdas vaginais. Ao exame: TV: colo 4 cm, M, anterior, –3 De Lee, bolsa íntegra, apresentação cefálica; DU: 3/10’/40”. Antecedente de 2 TPP (trabalho de parto prematuro) anteriores. Nega comorbidades. Cardiotocografia: normal. Ao ultrassom obstétrico: peso fetal no percentil 7, MBV: 4 cm, doppler normal, placenta anterior G I.Diante do caso, assinale a conduta correta.
TPP (31s+5d) com colo 4cm e histórico de TPP → Internar, rotina infecciosa (EGB), corticoide, sulfato de Mg (neuroproteção), tocólise e repouso relativo.
Diante de uma gestante com ameaça de trabalho de parto prematuro (TPP) em idade gestacional de risco (31 semanas) e histórico de TPP, a conduta deve ser abrangente. Inclui internação para monitoramento, investigação de infecções (EGB), maturação pulmonar fetal com corticoide, neuroproteção com sulfato de magnésio e tentativa de inibição do trabalho de parto (tocólise).
O trabalho de parto prematuro (TPP) é definido como o início do trabalho de parto antes de 37 semanas completas de gestação e é a principal causa de morbimortalidade neonatal. A identificação precoce e o manejo adequado são fundamentais para melhorar os desfechos perinatais. Fatores de risco incluem histórico de TPP, gestação múltipla, infecções e anomalias uterinas. O diagnóstico de TPP baseia-se em contrações uterinas regulares e modificações cervicais (dilatação ou esvaecimento). A conduta inicial envolve a internação para monitoramento materno e fetal, avaliação da vitalidade fetal e investigação de causas tratáveis, como infecções. A administração de corticoides (betametasona ou dexametasona) é essencial para acelerar a maturação pulmonar fetal, reduzindo a incidência de síndrome do desconforto respiratório neonatal. Além da tocólise para prolongar a gestação, a neuroproteção fetal com sulfato de magnésio é uma intervenção chave para gestações entre 24 e 32 semanas. A profilaxia para Streptococcus agalactiae (EGB) também deve ser considerada. O repouso relativo e a observação contínua são parte integrante do manejo, visando otimizar as condições para o nascimento do prematuro e minimizar complicações.
A tocólise é indicada para inibir as contrações uterinas e prolongar a gestação, permitindo a administração de corticoides para maturação pulmonar fetal e, se necessário, a transferência para um centro terciário. É geralmente considerada em gestações entre 24 e 34 semanas, na ausência de contraindicações maternas ou fetais.
O sulfato de magnésio é utilizado na ameaça de TPP principalmente para neuroproteção fetal, reduzindo o risco de paralisia cerebral em recém-nascidos prematuros, especialmente aqueles nascidos antes de 32 semanas de gestação. Ele também possui um efeito tocolítico secundário, mas sua principal indicação nesse contexto é a neuroproteção.
O rastreamento e a profilaxia para Streptococcus agalactiae (EGB) são cruciais no TPP, pois a infecção por EGB é uma causa importante de sepse neonatal precoce. Em casos de TPP, a profilaxia antibiótica intraparto é indicada se o status de EGB for desconhecido ou positivo, para reduzir o risco de transmissão vertical.
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