Parto Prematuro: Manejo da Ameaça e Maturação Fetal

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025

Enunciado

G2P1N A0, 32 semanas de idade gestacional, vai à unidade de emergência com queixa de dor em cólica frequente associada à perda de muco via vaginal. Nega comorbidades. O último parto ocorreu há 3 anos. Ao exame: altura uterina de 32cm, batimentos cardíacos fetal 130 por min, dinâmica uterina com duas contrações de 40 segundos em 10 minutos. No toque vaginal, o colo apresenta a dilatação de 3,0 cm, 50% apagado, bolsa íntegra, apresentação cefálica. A conduta a ser adotada é

Alternativas

  1. A) Internação, realização de tocólise, com prescrição de Nifedipina via oral e realização de administração intramuscular de corticoide betametazona para maturação pulmonar fetal.
  2. B) Internação, realização de tocólise, com prescrição de Nifedipina via oral e realização de corticoide intramuscular hidrocortisona para maturação pulmonar fetal.
  3. C) Prescrição de antiespasmódico via oral associado à progesterona micronizada por período de 10 dias e orientação de repouso em domicílio, pois o quadro pode reverter.
  4. D) Internação, com a prescrição de Ceftriaxona, pois a paciente apresenta uma infecção urinária.
  5. E) Internação, realização a tocólise, com prescrição de Terbutalina via oral, e realização corticoide intramuscular hidrocortisona, para maturação pulmonar fetal.

Pérola Clínica

Ameaça de parto prematuro com colo dilatado: internar, tocolisar (Nifedipina) e corticoide (Betametazona) para maturação pulmonar.

Resumo-Chave

Em casos de ameaça de parto prematuro com dilatação cervical progressiva e idade gestacional entre 24 e 34 semanas, a conduta inclui tocólise para inibir as contrações e administração de corticoides para acelerar a maturação pulmonar fetal, reduzindo a morbimortalidade neonatal. A Nifedipina é um tocolítico de primeira linha e a Betametazona é o corticoide preferencial.

Contexto Educacional

A ameaça de parto prematuro é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal, sendo definida pela presença de contrações uterinas regulares e modificações cervicais antes de 37 semanas de gestação. A identificação precoce e a intervenção adequada são cruciais para melhorar os desfechos perinatais. A incidência varia, mas afeta cerca de 10% das gestações globalmente, com fatores de risco que incluem história prévia de parto prematuro, gestação múltipla e infecções. O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica das contrações e do colo uterino, podendo ser auxiliado pela ultrassonografia transvaginal para medir o comprimento cervical e pela pesquisa de fibronectina fetal. A fisiopatologia envolve múltiplos fatores, como inflamação, estresse uterino e ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal fetal. A suspeita deve ser alta em gestantes com queixas de dor em cólica, endurecimento uterino ou perda de líquido/muco vaginal. A conduta principal na ameaça de parto prematuro entre 24 e 34 semanas inclui a tocólise para prolongar a gestação por 48 horas, permitindo a administração de corticoides para maturação pulmonar fetal. A Nifedipina é o tocolítico de primeira escolha, e a Betametazona é o corticoide preferencial. Além disso, a profilaxia para Streptococcus agalactiae (GBS) e a neuroproteção com sulfato de magnésio (em gestações < 32 semanas) são componentes importantes do manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar ameaça de parto prematuro?

Ameaça de parto prematuro é diagnosticada pela presença de contrações uterinas regulares e dolorosas (4 em 20 minutos ou 8 em 60 minutos) que resultam em modificações cervicais (dilatação ≥ 2 cm ou apagamento ≥ 80%) entre 20 e 36 semanas e 6 dias de gestação.

Por que a Nifedipina é o tocolítico de escolha na ameaça de parto prematuro?

A Nifedipina é um bloqueador dos canais de cálcio que atua relaxando a musculatura uterina. É preferida por sua eficácia, perfil de segurança favorável e facilidade de administração oral, com menos efeitos colaterais maternos e fetais em comparação com outros tocolíticos.

Qual a importância da Betametazona na maturação pulmonar fetal?

A Betametazona é um corticoide que estimula a produção de surfactante nos pulmões fetais, acelerando a maturação pulmonar. Isso reduz significativamente a incidência e a gravidade da Síndrome do Desconforto Respiratório em recém-nascidos prematuros, além de diminuir a mortalidade neonatal e hemorragia intraventricular.

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