Ameaça de Aborto: Diagnóstico e Manejo no Primeiro Trimestre

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022

Enunciado

S.M.B, 40 anos, GII PIN A0, IG cronológica: 6 semanas, deu entrada no PSGO com queixa de sangramento vaginal em pequena quantidade, vermelho vivo. Ao exame ginecológico, especular: pequena quantidade de sangue coletado em fórnice posterior, sem sangramento ativo, colo uterino sem lesões. TV (toque vaginal) bimanual: colo uterino impérvio, FU (fundo uterino) intrapélvico. DB negativo, anexos não palpáveis. TS Rh positivo. Submetida à USG (ultrassonografia) transvaginal, que demonstrou: SG intrauterino, com diâmetro médio de 9 mm, não identificados embrião ou vesícula vitelínica. Diante do caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de aborto em curso, devendo-se tomar conduta expectante
  2. B) Trata-se de aborto em curso, devendo-se internar a paciente para conduta ativa como AMIU.
  3. C) Trata-se de ameaça de aborto, devendo-se administrar imunoglobulina anti-D.
  4. D) Trata-se de ameaça de aborto, devendo-se repetir USG em 10-14 dias.
  5. E) Trata-se de aborto incompleto, devendo-se investigar, também, gestação heterotópica.

Pérola Clínica

Sangramento 1º trimestre + colo impérvio + USG precoce sem embrião/VV = Ameaça de aborto → Repetir USG em 10-14 dias.

Resumo-Chave

Em gestações muito precoces (6 semanas) com sangramento e saco gestacional pequeno (9mm) sem embrião ou vesícula vitelínica, a conduta inicial é expectante com reavaliação ultrassonográfica em 10-14 dias para confirmar o desenvolvimento ou o diagnóstico de aborto.

Contexto Educacional

A ameaça de aborto é uma complicação comum no primeiro trimestre da gestação, caracterizada por sangramento vaginal com colo uterino fechado e presença de batimentos cardíacos fetais (quando visíveis). É crucial diferenciar a ameaça de aborto de outras causas de sangramento, como aborto em curso, aborto incompleto ou gestação ectópica, para um manejo adequado. O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico (colo impérvio) e ultrassonografia transvaginal. Em gestações muito precoces, como 6 semanas, a ausência de embrião ou vesícula vitelínica em um saco gestacional pequeno (ex: 9mm) não é suficiente para diagnosticar aborto retido ou gestação anembrionária. Nesses casos, a repetição da USG em 10-14 dias é essencial para reavaliar o desenvolvimento gestacional e evitar diagnósticos precipitados. O manejo da ameaça de aborto é geralmente expectante, com orientação para repouso relativo e observação. A imunoglobulina anti-D é administrada apenas em gestantes Rh negativo. O prognóstico é variável; muitas gestações com ameaça de aborto evoluem normalmente, enquanto outras progridem para aborto espontâneo. O acompanhamento rigoroso é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios ultrassonográficos para diagnosticar uma gestação anembrionária?

Uma gestação anembrionária é diagnosticada se o saco gestacional tem um diâmetro médio ≥ 25 mm e não há embrião, ou se o saco gestacional tem um diâmetro médio ≥ 16 mm e não há vesícula vitelínica.

Qual a conduta inicial para uma paciente com ameaça de aborto?

A conduta inicial para ameaça de aborto inclui repouso relativo, abstinência sexual e acompanhamento. Em casos de ultrassonografia inconclusiva em gestações precoces, a repetição do exame em 10-14 dias é fundamental.

Quando a imunoglobulina anti-D é indicada em casos de sangramento vaginal na gestação?

A imunoglobulina anti-D é indicada para gestantes Rh negativo com sangramento vaginal, para prevenir a sensibilização materna e a doença hemolítica do recém-nascido em gestações futuras.

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